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Tuesday, October 14, 2014

Dinamizar o basquetebol – Um desejo, um sonho uma visão

Este é o meu contributo para discussão do basquetebol em Portugal.


Dinamizar o basquetebol – Um desejo, um sonho uma visão

PROJECTO ESTRATÉGICO do BASQUETEBOL PORTUGUÊS – UM CONJUNTO DE IDEIAS, 2018


AP
6-05-2014



               
  António Pereira





Dinamizar o basquetebol

PROJECTO ESTRATÉGICO do BASQUETEBOL PORTUGUÊS – UM CONJUNTO DE IDEIAS, 2018

INTRODUÇÃO
A estrutura federativa que propomos deve pautar a sua ação por uma cultura de excelência, colocando em prática um conjunto de ideias, apelando e contando com o envolvimento dos diferentes agentes da modalidade, reflectindo um verdadeiro trabalho de equipa.

A restruturação do basquetebol deve assentar em objectivos claros e prioridades que possam ser mensuráveis, permitindo avaliações regulares.

Defendemos um trabalho em equipa, que aposte na sustentabilidade do basquetebol em todas as suas vertentes e que possa catapultar o basquetebol para o segundo lugar das modalidades mais praticadas do país. Defendemos, na mesma perspetiva, um basquetebol formador de homens e mulheres que, através da prática desportiva, se preparam para a vida de adulto no século XXI. Um tipo de vida onde as competências, a capacidade de trabalhar em coletivo e o desejo de superação individual são fundamentais.
Os jovens devem encontrar esta cultura de exigência enquanto praticantes de basquetebol desde os escalões de formação até ao escalão sénior.

Os clubes devem incutir o gosto pelo jogo de basquetebol, despertando nos espectadores o desejo de voltarem ao pavilhão para assistir a um espectáculo desportivo caracterizado pela incerteza do resultado, o que pode e deve ser uma constante.

Este projeto assenta, fundamentalmente, em dois vetores. A proteção da marca basquetebol e a racional gestão desportiva devem ser o reflexo de uma visão e integrar transversalmente a estratégia da modalidade.

ESTRUTURA FEDERATIVA
A FPB tem como missão a promoção, regulamentação e direção da prática do basquetebol no território nacional; representar a modalidade perante a administração pública; organizar as competições nacionais; promover a atividade das Seleções Nacionais; representar Portugal junto das suas congéneres estrangeiras; formar os agentes desportivos.

Para que o resultado dessa missão alcance os melhores resultados, a FPB deve assumir-se como catalisador das ideias dos diferentes agentes, aceitando os seus contributos para que a modalidade readquira o estatuto de referência.

            Deste modo, a gestão da FPB no próximo mandato terá de ser norteada por valores de isenção, competência, mérito e lealdade entre pessoas e instituições, numa atitude formativa e competitiva – aquilo que, no fundo, é a essência do desporto.

No atual contexto socioeconómico, e tendo igualmente em conta a realidade da modalidade no contexto desportivo nacional, é fundamental definir um plano estratégico de desenvolvimento da modalidade, refletido numa gestão estratégia integrada de comunicação, conduzindo à identificação fidedigna da modalidade por parte das associações, clubes, treinadores, atletas, árbitros, simpatizantes, público, patrocinadores e outros intervenientes.

Como forma de transmitir esta ambição, e de dar um novo impulso ao basquetebol, é necessário organizar as seguintes áreas e operacionalizá-las de forma integrada:
- Departamento de formação
- Departamento de competições
- Departamento de selecções
- Departamento de comunicação
- Departamento de marketing
- Departamento de gestão financeira
- Departamento jurídico

Para dar corpo a esta filosofia de gestão, ajustada à realidade nacional, são necessárias pessoas competentes, pelo que se defende a necessidade de algumas áreas passarem a ser geridas por profissionais. Só assim será possível encontrar as melhores soluções, por forma a atingir os objectivos a que todos nos propomos.

Por todo o mundo, o basquetebol continua em grande expansão, com enorme visibilidade e a adesão ao jogo é extraordinária. Em Portugal continuamos a não trabalhar de forma colectiva para ultrapassar as dificuldades, no sentido da modalidade voltar a atingir elevados níveis de notoriedade.

O desenvolvimento do basquetebol passa, numa primeira fase, pela resolução de problemas específicos dos clubes e, depois, das associações. A FPB deve e deverá ser a locomotiva do comboio, sabendo congregar vontades em torno de um projeto nacional. Deseja-se que seja a máquina de um TGV e não a locomotiva a vapor. Os tempos são outros e as soluções para os problemas devem ser diferentes daquelas que até agora têm sido utilizadas.

REGULAMENTOS
É necessário rever boa parte dos regulamentos, dada a atual situação socioeconómica do país e a urgência reclamada pela evolução constante da sociedade.

Justificam-se, desde logo, as revisões dos estatutos da FPB, do regulamento de competições, do regulamento de transferências, do regulamento eleitoral, entre outros.

COMPETIÇÕES
 A nível sénior, masculino e feminino, propõe-se o seguinte:    
            - Apresentação do basquetebol na RTP2
- Recuperação do jogo de abertura do campeonato sénior do primeiro nível competitivo
 - Realização do All Star Game
 - Possibilidade das equipas realizarem os jogos em casa da fase regular (excepto nas duas últimas jornadas) nos dias de maior interesse dos seus públicos. Esta possibilidade permitirá aumentar o número de espectadores e, igualmente, obrigará a Comunicação Social a abordar as competições de basquetebol durante mais dias.

Outras medidas:
- Propor à Federação Espanhola de Basquetebol (FEB) e Federação Autónoma da Galiza competições supranacionais: Torneio do Eixo Atlântico, All Star Game Ibérico e uma competição que defina o Campeão Ibérico. No passado, as equipas da Galiza já evidenciaram disponibilidade para um projeto que se apresente como inovador.

- Pretende-se organizar uma competição conjunta entre a FPB e FEB, com espaço próprio na calendarização, que passará a ser disputada anualmente no princípio de época ou noutra data mais conveniente. Inicialmente, esta prova será agregada por duas a três equipas portuguesas e outras tantas da Galiza.

- Repensar o escalão de sub-20, surgindo as opções da simples extinção ou, em alternativa, alargá-lo aos jogadores com 21 anos, visto que o primeiro ciclo dos estudos universitários termina nesta idade. Não faz sentido que o jovem jogador seja impedido de continuar a prática da modalidade na sua equipa.

- Refletir sobre os diversos campeonatos dos escalões secundários, embora, sempre, com o princípio orientador de ir ao encontro dos objetivos gerais deste plano estratégico e à realidade económica dos clubes.

- Premiar os clubes que atinjam os objetivos definidos no plano estratégico.

- Uma atenção muito especial ao marketing digital, através da criação de novos espaços nas redes sociais, e reformular os existentes, que reflita a vontade de comunicar por parte da FPB e dos clubes, utilizando as diversas plataformas digitais existentes, conferindo ampla cobertura às competições masculinas e femininas, bem como às atividades dos clubes. Implementar comunicação bilingue também será uma prioridade.

 - Promover a modalidade ao nível institucional, no sentido de captar investimentos para o basquetebol, favorecendo os diversos intervenientes, tais como FPB, associações, clubes e juízes.

- Concretizar uma relação de proximidade com os países da CPLP.

- Captação de mais eventos internacionais e melhorar e renovar os que já foram organizados.

- Dinamizar a Assembleia Geral.

CLUBES:
Os clubes devem ter em conta que os quadros humanos são fundamentais para a estabilidade competitiva e financeira, na medida que os dirigentes são ativos importantes e fulcrais para a orgânica do basquetebol.

Através de protocolos, a FPB deve estar apta a proporcionar aos clubes a colaboração de estagiários em diferentes áreas do conhecimento, nomeadamente comunicação organizacional, quer nas especialidades de marketing quer na especialidade de relações públicas, comunicação social, design e multimédia. Já existem contactos nesse sentido.

A formação dos jogadores deve merecer a maior atenção, na tentativa de refletir os valores da organização e da FPB, apostando no desenvolvimento do jovem como homem e desportista.

Igualmente crucial é o papel dos treinadores na formação dos jovens. Devem ser exemplo a seguir, modelo de referência, capazes de transmitir valores, experientes no ensino do basquetebol, nomeadamente através do ensino de técnicas que estejam de acordo com o “modelo de jogo” das equipas seniores. Pretende-se que o praticante se prepare para o que há de mais real na vida de adulto – uma vida competitiva a nível profissional, repleta de desafios a vencer.

Por isso, tentar-se-á perceber quais os clubes que têm ou podem vir a ter condições de competir ao nível mais elevado, dando um contributo para que essa vontade se transforme em realidade.

Os jogos do primeiro nível de competição devem passar a ter 48 minutos, divididos em quatro períodos de 12 minutos. Estamos convictos que o aumento do tempo de jogo implicará a utilização de mais jogadores a intervir no jogo, resultando em mais solicitações e oportunidades efetivas para os jovens.

                A noção do clube satélite pode e deve ser desenvolvida.

A participação em competições internacionais é importante, mas deve-se respeitar e atender aos orçamentos dos clubes, dadas as exigências financeiras das provas. Daí a necessidade da FPB e dos clubes promoverem uma boa imagem das competições, criando pontes com possíveis investidores, de forma a encontrar suporte financeiro para este tipo de atividades. Só com clubes fortes é possível ultrapassar as dificuldades do presente.

TREINADORES:
Os treinadores são fundamentais no desenvolvimento do jovem praticante e na sua formação como homem. A nível sénior, a gestão do grupo e a capacidade de liderança são fundamentais para o sucesso do projecto de competição de qualquer organização.

É nossa ambição preconizar uma relação estreita entre a ENB e a ANTB, no sentido de que todos os treinadores possam ter acesso a uma aprendizagem de qualidade, premium. Aos atletas ou antigos atletas será prestado um apoio especial, por considerarmos que o ensino do jogo por parte destas pessoas é muito importante.

Estabelecer um princípio de reciprocidade em relação ao reconhecimento de credenciais dos treinadores estrangeiros, que deverá ser alvo de análise e revisão (reconhecimento dos cursos de treinadores ministrados em Portugal).

Apelar a um maior profissionalismo, rigor e competência dos treinadores, fatores essenciais para se atingir o nível ambicionado.

JOGADORES:
 A educação e formação do jovem jogador são basilares. Ensinar os jovens a conciliar a atividade desportiva com a frequência escolar, amigos e família, ajudando-os a definir prioridades e opções é uma das prioridades. O apoio dos atletas mais experientes, dos treinadores, dirigentes e pais é ainda decisivo para estabelecer as melhores escolhas.

Será necessário criar metas quanto ao desenvolvimento físico, técnico e mental de forma concreta, de acordo com o escalão etário, que possam ser mensuráveis para se avaliar o sucesso do programa e fazer as necessárias correcções se necessário.

Na formação é necessário perceber o que se passa para que o número e qualidade dos jogadores do escalão sénior estejam de acordo com as exigências da competição.

Deste modo, para perceber o que se passa ao nível da formação de jogadores, teremos de obter respostas às seguintes perguntas:
1 - Os jovens portugueses não têm apetência para jogar basquetebol
2 – Os treinadores de jovens não têm competências para ensinar o jogo de basquetebol
3 – Os jovens não treinam a quantidade de horas suficientes para desenvolverem as técnicas necessárias
4 – A participação dos pais na gestão da formação dentro dos clubes é negativa
5 – Os jovens são prejudicados no seu desenvolvimento enquanto atletas e homens pela participação dos pais na gestão dos clubes
6 – Os treinadores são condicionados no ensino do jogo de basquetebol pela participação dos pais na gestão dos clubes
7 – Os quadros competitivos não permitem o desenvolvimento do jovem jogador
8 – A FPB tem desenvolvido uma política desportiva favorável ao desenvolvimento dos escalões jovens
9 – O horário escolar condiciona negativamente o empenho e desenvolvimento do jovem atleta
10 – A falta de referências nacionais não motiva/alicia os jovens para a prática do jogo de basquetebol
11 – Os jovens não se sentem atraídos pela prática do basquetebol
12 – A falta de perspectiva de uma carreira profissional faz afastar os jovens da prática da modalidade de basquetebol
13 – A presença de jogadores estrangeiros ao nível sénior afasta os jovens da prática da modalidade de basquetebol

Muito importante é também analisar o eventual apoio a potenciais talentos para integrar equipas estrangeiras. Neste caso, a FPB deve contribuir para ser adotada a uma decisão que favoreça o desenvolvimento do jovem como homem e como atleta, numa perspectiva de se tornar um melhor cidadão adulto no futuro.

ÁRBITROS E OFICIAIS DE MESA
Vemos os árbitros portugueses como parceiros inegáveis no desenvolvimento da modalidade. Conscientes de que uma boa (ou má) arbitragem pode decidir um jogo ou mesmo um campeonato, apostamos na sua evolução.

A FPB deverá promover ações que visem congregar a classe nesta causa, através do diálogo construtivo e da definição de objetivos claros, transparentes e que possam ser medidos, avaliados e de divulgação pública.

Para melhorar o desempenho de árbitros e oficiais de mesa propomos a realização de ações de formação, bem como promover o contacto com realidades internacionais, ajudando a criar um corpo de árbitros, oficiais de mesa e comissários de elite.

Estabelecer contactos com os países da CPLP, no sentido de disponibilizar árbitros para as suas competições, quando solicitados.

A arbitragem deve continuar a contribuir para o crescimento do basquetebol, através de uma restruturação, de modo a optimizar os recursos.

JOGADORES, TREINADORES e ARBITROS – aspectos legais
Do ponto de vista legal, treinadores e jogadores devem ter a possibilidade de ter uma carreira profissional, sendo que devem fazer os seus descontos para o IRS, Segurança Social, e negociação de uma apólice de seguro com uma identidade do ramo, que permite ter um apoio financeiro em caso de incumprimento ou de desemprego estando assim devidamente protegidos nesta situação.

Torna-se urgente, portanto, discutir e definir o enquadramento legal, apresentando a situação à tutela e tentando encontrar apoio junto de outras modalidades, para que estes direitos sejam reconhecidos.

PLANO ESTRATÉGICO
Definir um plano que substancie aquilo que é a visão da direcção da FPB e dos demais agentes da modalidade e que se traduz num basquetebol renovado, na sua forma de gestão, forma relacionamento entre as diversas partes, e objectivos comuns, quer esta mudança se reflicta ao nível do curto, médio ou longo prazo.

Esta renovação da gestão da modalidade tem como base a importância dada á formação do jovem atleta na vertente de jovem homem, de atleta e numa cultura de exigência e assente em valores bem definidos.

Nenhuma competição sénior pode ter sustentabilidade sem formação de jogadores e esta crença tem de ser traduzida no desenvolvimento de bons programas de treino de jovens, apoio aos diversos níveis e que sejam avaliados ao longo deste percurso.

Desta forma é necessário congregar os diversos agentes da modalidade e diversos stakeholders, á volta de um objectivo comum que tem como missão colocar o basquetebol como modalidade número um das chamadas modalidades.

Ao nível da formação, propõe-se que no final do mandato desta direcção da FPB, em 2018, os clubes com equipas seniores masculina e feminina, dos diversos níveis de competição, tenham inscritos, com atividade regular e competitiva, a nível do clube e associativo, o seguinte número de “jogadores minis”:
- 1.º nível de competição: 120 jogadores
- 2.º e 3.º níveis de competição: 72 jogadores

Por outro lado, o número de jogadores do escalão mini deve refletir-se no escalão de iniciados (sub-14), com duas a três equipas em competição e com um mínimo de 6 a 8 horas semanais de treino.

Deste somatório de atletas espera-se que emerjam uma quantidade de atletas que demonstrem qualidades superiores aos demais e que por via disso possam alimentar a selecção nacional sénior masculina e feminina com a qualidade que nos permita competir a nível internacional no escalão A de cada sector (masculino e feminino).

Em relação ao centro de alto rendimento do Jamor, deve-se discutir qual a melhor política de recrutamento dos jovens jogadores e qual o verdadeiro papel que este centro pode e deve ter no desenvolvimento do basquetebol português.

Uma palavra para o desenvolvimento do basquetebol ao nível da escola como forma de dar a conhecer a modalidade, desenvolvimento do gosto pelo jogo do basquetebol e recrutamento desses jovens para o desporto federado.

Pretende-se motivar uma instituição académica para fazer um estudo académico á volta de quem são os jovens que jogam basquetebol, porque praticam a modalidade, quais os seus objectivos como forma de conhecer os nossos jovens praticantes e ajustar se necessário a politica desportiva e de comunicação da FPB, associações e clubes.

Quanto aos clubes com equipas seniores no primeiro nível de competição, aponta-se para que estes estejam estruturados para desenvolverem uma atividade de forma sustentada, apostando em quadros humanos.

Na vertente da gestão desportiva é fundamental (e urgente) a contratação de treinadores conhecedores do jogo, capazes de o ensinar, experientes ao nível da vivência da competição e com grande capacidade de liderança de jovens.

Na época de 2017-2018 é de esperar que o investimento feito pelos clubes se possa exprimir em dois a três jogadores formados no clube com espaço (e minutos de jogo) nos seniores. Com o crescimento da modalidade, no quadriénio 2018-2022 aponta-se para que as equipas seniores possam ter quatro a seis jogadores formados no clube, com minutos de qualidade.

Reflectindo a vontade de uma aproximação ao mundo académico e empresarial pretende-se reestruturar os clubes ou departamentos de basquetebol a nível dos recursos humanos.

Defende-se então que cada clube englobe nos seus quadros profissionais de comunicação organizacional na vertente de marketing e de relações públicas, e, porventura, design e multimédia, para que de uma forma integrada, e com o apoio da FPB, possam interagir com os seus públicos e ajudar a potenciar a “marca basquetebol”, contribuindo assim para que o público reconheça a modalidade, aumentando a sua notoriedade.

Nos escalões secundários, a Direcção da FPB deve proporcionar todo o apoio administrativo possível, colmatando as debilidades dos clubes. Na área desportiva, espera-se que até ao fim do ano de 2022, 80 por cento do plantel sénior seja oriundo da formação e que espelhe os valores da organização.
Organização dos campeonatos de veteranos pela FPB em molde a ser discutido e sua implementação.

Apoio ao basquetebol jogado ao nível universitário em molde a ser discutido e de possível concretização.

No quadro do novo Qren, deve a FPB e respectivas associações explorarem todas as oportunidades que este documento permita no sentido do desenvolvimento de projectos que sejam alvo de possíveis apoios públicos.

Este plano estratégico do basquetebol é suportado pelo conjunto de ideias desenvolvido anteriormente e que deverão ser avaliadas periodicamente, numa aplicação aos setores masculino e feminino.


António Pereira

Friday, September 5, 2014

A evolução da FIBA e o futuro da FPB


À margem do Campeonato Mundial de Basquetebol, que decorre em Espanha, a FIBA e a FEB têm demonstrado intensa atividade, numa manifestação inequívoca de que estão vivas, apresentam dinamismo, percebem o que as rodeia e, igualmente significativo, que procuram melhorar as suas estruturas e imagens para serem mais sólidas no futuro, evitando ver o seu espaço ocupado por outra atividade. Estes sinais confirmam que o basquetebol tem futuro.

As 11 reuniões realizadas pelo Comité Central da FIBA no quadriénio 2010/2014 foram fundamentais para definir e monitorizar a estratégia para o basquetebol no planeta, num movimento que recebeu o acompanhamento das diferentes organizações FIBA continentais. Quem observa basquetebol à escala máxima e numa visão de 360 graus verifica que, efetivamente, existe evolução, não percetível a quem vive a modalidade exclusivamente na sua base e em Portugal.

A FIBA estabeleceu, entretanto, um protocolo de cooperação com uma empresa americana cujo objetivo é a de esclarecer e alinhar a sua própria estrutura de acordo com a estratégia pretendida, bem como implementar alterações às prioridades anteriormente definidas. E que são quatro:
1 – Alterações à estrutura da FIBA
2 – Construção da casa do basquetebol (pretensão cumprida na primavera de 2013)
3 – Desenvolvimento do 3x3
4 – Implementação de uma nova calendarização das competições internacionais de seleções para entrar em vigor a partir de 2017

Conclui-se, perante estes dados, que a FIBA está disponível para implodir conceitos já fossilizados nos seus regulamentos e outros com pouco mais de uma década e adotar iniciativas mais modernas, satisfazendo as necessidades dos desafios que se aproximam e adaptando-se à evolução da sociedade. Por exemplo, aquilo que era apenas um desporto, passou a ser também um modo de vida e um negócio. E a FIBA adaptou-se.

Mas neste percurso evolutivo que todos assistimos, surgem, também, algumas armadilhas, já muito expostas noutras modalidades, naquelas em que o vínculo ao negócio está mais próximo, casos do ciclismo e futebol. A procura por dinheiro fácil promoveu e sustentou negócios paralelos e esquemas fraudulentos associados ao doping e aos jogos de resultados viciados para as apostas. O basquetebol estará imune a estes tormentos? Pelos vistos, não.

Apesar de não ser um assunto incómodo, como o é para o ciclismo, a FIBA pretende ser proactiva sobre o doping, tendo definido o programa ‘Joga bem, mas joga limpo’, entretanto adotado para este Mundial. Para isso, desde janeiro que foram tomadas medidas para assistirmos a uma competição limpa e à chegada das diversas comitivas aos hotéis em Espanha foram recolhidas amostras sanguíneas e de urina dos basquetebolistas para permitir, também, a elaboração dos passaportes biológicos individuais, numa ação que conta com a estreita colaboração de vários organismos nacionais de anti-doping.

A FIBA sabe que a modalidade só sobrevive e é potencialmente atrativa para patrocinadores e investidores se for credível e transparente aos olhos da opinião pública e da Imprensa. Ao mesmo tempo que o basquetebol evolui, nunca se pode descurar a credibilização do desporto, das suas regras e dos seus principais agentes. É crucial esta ideia e passá-la para o exterior.

Do ponto de vista da comunicação e imagem, a FIBA deu mais um passo francamente evolutivo ao estabelecer um acordo com a rede social Twitter, válido para os Mundiais masculino (Espanha) e feminino (Turquia). A acompanhar esta inovação, surgem as aplicações para os sistemas Android e iOS, também para acompanhamento em tempo real dos jogos. A FIBA reconhece que, na atualidade, para além da Imprensa escrita e televisões, o seu produto tem de chegar ao consumidor por outras vias. Vivemos numa sociedade ‘mobile’ e global, na qual os ´smartphones’, ‘tablets’ e as redes sociais assumem um papel vital.

Transmitir uma mensagem positiva é essencial numa iniciativa desta amplitude e isso mesmo é reconhecido pelo presidente da FEB. Na cerimónia de receção aos voluntários, José Luis Saez sublinhou que o mais importante era a marca Espanha sair beneficiada deste Mundial, deixando um legado e transferência de conhecimento, mais do que uma possível final Espanha-EUA. Com isso, acrescentou responsabilidade ao papel dos voluntários. O secretário de estado do desporto espanhol, Miguel Cardenal, acrescentou que em Espanha as pessoas vibram com o desporto e que os voluntários tornam isso possível. Isto significa, também, que para atingir os êxitos é necessário que as pessoas e as instituições sejam geridas com paixão.

Em Portugal, é essa paixão e dedicação que os dirigentes da nova estrutura federativa devem ter, para despertar a paixão nas direcções associativas regionais, nos clubes, noutros agentes desportivos e nos diferentes amantes da modalidade. Para isso é fundamental alinhar a estratégia desportiva à política de comunicação, num exercício sustentado em estudos que indiquem quais os problemas existentes e perspetivem os caminhos a percorrer. Só a congregação das pessoas do basquetebol à volta de um projeto nacional será possível catapultar o basquete para o lugar que esteve e que pode vir a estar. Há que seguir as pisadas da FIBA…


António Pereira

Thursday, June 26, 2014

Até podia ...

Portugal até podia ter conseguido o milagre de que se falava mas o saber gerir as emoções nestes momentos é fundamental e isso não foi feito. 

Faltou conhecer melhor #CristianoRonaldo, viu-se nas suas últimas declarações que precisava de algo, e para além de conhecer as emoções de cada um é preciso controlá-las e isso não foi feito. Via-se ou ansiedade ou descrédito. Para isso muito contribui a falta de uma gestão de comunicação de crise logo após o jogo com a Alemanha e saber reagir a essa novidade/catástrofe, dando demasiado espaço à comunicação social e redes sociais sobre o mal dizer do mau dia da selecção. 

Enfim aprender é importante mas repetimos erros demasiadas vezes e nunca resolvemos a questão. 

Afinal somos tão bons como os outros é tudo uma questão de cabeça quer seja na #seleçãonacionaldefutebol quer seja em qualquer outra actividade.

Sunday, June 22, 2014

Análise a diversos pontos altos – As primeiras medidas de marketing a implementar

Acompanhei diversos pontos altos realizados um pouco por todo o país. Devido a obrigações académicas e compromissos profissionais, não pude estar presente em dois (sub-18 masculinos e sub-20 masculinos) de que gostaria imenso. Assisti, portanto, ao playoff final da Proliga, final da 1.ª Divisão (Chamusca), às fases-finais de sub-16 femininos (Ermesinde), sub-16 masculinos (S. João da Madeira) e sub-14 masculinos (Fundão), bem como às Festas Juvenis do Basquetebol (Albufeira).

Fica uma primeira questão: Chamusca, porquê? No pavilhão desta localidade par além de mim, apenas estavam pessoas identificadas com o Vasco da Gama e Atlético, para além de dirigentes da FPB e do poder local. Mais ninguém. Que benefícios recolheu o basquetebol português em promover a modalidade numa vila de 3.300 habitantes, a cerca de 100 quilómetros de distância de Lisboa e cerca de 200km do Porto ?

O cenário noutros pavilhões – não em todos, como é óbvio, dependendo da sua localização – foi praticamente o mesmo. Alguns recintos apresentaram bancadas bem compostas (principalmente aqueles de lotação muito limitada), mas unicamente de espectadores com ligações de afinidade a algum dos intervenientes. Só por isso.

Onde está, então, o público de basquetebol? A promoção destes eventos foi a melhor? foi eficaz? A comunicação com os agentes desportivos das áreas próximas à da realização das iniciativas foi válida?
Fica a perceção de que o basquetebol é, na atualidade, uma modalidade unicamente de consumo interno, emergindo a necessidade imperiosa de a tornar visível.

De forma a termos a noção exata da realidade, uma das primeiras medidas a implementar pelo futuro presidente da Federação Portuguesa de Basquetebol, e da sua equipa de trabalho, é avaliar a implantação da modalidade em Portugal, dando resposta a determinadas questões, entre as quais: quantos somos?; quantos nos veem?; onde somos vistos?

É indispensável efetuar uma contabilidade dos adeptos que se deslocam aos pavilhões, nas iniciativas com bilheteira paga ou não, quer estas sejam organizadas por clubes, associações ou federação. A partir de 1 de setembro de 2014, nenhum jogo se deverá realizar sem que esta ferramenta esteja em funcionamento, de uma forma rigorosa.

A visibilidade terá de ser escrutinada. Que notícias surgem de basquetebol, em que tipo de órgãos de Comunicação Social… A ponderação destes dados pode ser extremamente relevante no contacto com eventuais parceiros. Idêntico rastreio deverá ocorrer nas diferentes redes sociais.

Há poucos dias a Seleção Nacional sénior feminina venceu um jogo para o apuramento do Eurobasket, frente à congénere da Itália. Que eco este resultado teve na Comunicação Social? Qual o impacto de um resultado histórico na comunidade desportiva? Muito? Pouco? Porquê?


Outros estudos terão de ser desenvolvidos como forma de dar suporte à estratégia de marketing e comunicação da FPB. Vou mais longe. A única possibilidade de sucesso do gabinete de marketing e comunicação é que este setor deve ser gerido por alguém que tenha conhecimentos do fenómeno desportivo e das modalidades desportivas em especial. Para além disso, deverá estar em sintonia com o setor desportivo, participando na definição das linhas estratégicas a assumir pela FPB. Medidas avulsas, desligadas das várias áreas e sem visão de médio/longo prazo ficarão condenadas ao insucesso.

Thursday, June 12, 2014

Eleições de delegados, mais importante do que parece ser

Aproximam-se as eleições para delegados. As críticas sucedem-se pela diferente falta de envolvência dos diferentes agentes desportivos, mas também pelas tentativas de pressão para o afastamento de outros candidatos.

Por motivos óbvios, gostaria que não se verificassem qualquer das situações. Ambiciono alargar o leque de discussão através da participação de todos os agentes a nível nacional por forma a termos um projecto verdadeiramente nacional. Para isso é importante que todos possam dar contributos, se identifiquem com as decisões e saibam qual é o papel que desempenham nesse projecto por forma a alcançarmos os objectivos e todos termos motivos para nos sentirmos integrados e desejáveis para a resolução dos problemas. 

Repito: sou candidato … a candidato. Por enquanto. E da avaliação que fizer de todos os processos eleitorais manifestarei a minha posição mais adiante.

Tal como no passado, defendi e defendo que no dia das eleições Assembleias Gerais e competições não devem ocorrer (pelo menos dos que estão envolvidos directamente na competição nesse dia). Assembleias Gerais, eleições e jogos não são compatíveis. Claramente. Reduz o universo eleitoral e o ideal de participação em processos tão importantes, principalmente no momento delicado que a modalidade e o país atravessam, e como tal é importante resolver o problema que vamos ter dentro de dias. Há que melhorar a imagem do basquetebol nacional.

Também não propus delegados à AG. O ideal de envolvência deve partir de cada um e não dos interesses individuais ou colectivos, pessoais ou financeiros, que gravitam à volta da modalidade. Não aceito, portanto que existam pressões para o afastamento de candidatos. Da participação crítica constrói-se e consolida-se o futuro.

A AG é um local de debate onde se pode e deve construir o futuro do basquetebol assente em propostas da Direção da FPB, das associações regionais e das classes dos treinadores, jogadores e juízes. Este pode ser o símbolo de pujança da modalidade, no sentido do encontro de soluções colectivas, a permitir que os diferentes agentes se identifiquem com um projecto nacional de basquetebol.

A modalidade não é apenas de alguns. É de todos, do norte ao sul do país, passando pelo arquipélago da Madeira e dos Açores. Todos não seremos demais para retirar o basquetebol da situação onde se encontra.

Ainda sobre as eleições dos delegados sugeri ao presidente da Assembleia Geral que no site oficial da FPB se pudesse criar um espaço para os diversos candidatos revelarem as suas ideias, opiniões e intenções, de forma a facilitar as escolhas de quem vota. Esta sugestão foi igualmente transmitida ao possível candidato Manuel Fernandes. Até hoje desconheço mais desenvolvimentos desta proposta.Congratulo-me com a participação de alguns treinadores através de textos publicados no site da ANTB. 

O basquetebol merece mais e melhor, assim os futuros delegados estejam recetivos a ouvir e a tomar decisões corajosas.

António Pereira

Thursday, May 8, 2014

JUIZES e OFICIAIS de MESA – sobre a eleição de delegados

Aquando da elaboração do meu último texto com o título “TREINADORES - porque devem eleger os seus delegados”, ponderei escrever um texto sobre o mesmo tema e dirigido aos árbitros.

Colocada a questão a mim mesmo, achei que não o devia fazer porque se há agente desportivo no basquetebol que tem sabido ser interventivo, traduzido em três listas para delegados aquando do último sufrágio, foram os juízes e oficiais de mesa. Depois porque a arbitragem tem pautado por uma qualidade que é traduzido no numero de árbitros que intervêm nas provas europeias e que tem actuado em momentos altos dessas competições. Por fim, porque me parece que deve haver alguma independência num sector tão sensível como este e que é necessária transparência e competência na sua direcção e forma de actuar.

Por estes motivos, achei que não devia apelar a algo que sei que está a ser feito e só posso desejar que os outros agentes do basquetebol tenham uma intervenção tão efectiva como a dos juízes e oficiais de mesa bem como espero que todos os agentes envolvidos no basquetebol, merecedora do reconhecimento internacional.

Para os que quiserem consultar o texto enviado a uma lista de treinadores, o link é: http://apbasketball.blogspot.pt/2014/05/treinadores-porque-devem-eleger-os-seus.html

Despeço-me com o desejo de uma participação activa para um basquetebol renovado.
                                                                                                                   
António Pereira


Tuesday, May 6, 2014

TREINADORES – PORQUE DEVEM ELEGER OS SEUS DELEGADOS

Este é o teor de um email que fiz seguir para uma lista de email de treinadores.
Peço desculpa de não enviar a mais treinadores, mas só posso enviar aos quais tenho endereço de email. 
Agradeço que façam reencaminhamento deste conteúdo se acharem por bem. 

Conteúdo do email:

Os treinadores de basquetebol têm uma função fundamental no desenvolvimento da prática do basquetebol, o que lhes traz acarreta responsabilidades acrescidas no que diz respeito á sua envolvência com as organizações desportivas e forma de perspectivar o futuro do basquetebol.

Muitos de vocês, frutos de diversos anos de estudo e trabalho, tem colaborado incansavelmente para que os jovens pratiquem basquetebol e que se desenvolvam como atletas e homens. Ao nível sénior, os desafios são outros mas tenho a certeza de que todos querem praticar bom basquetebol e ganhar.

Consciente do contexto económico e social que o país atravessa, considero que, apesar disso há necessidade de dar um novo rumo à gestão da FPB. O desafio é o de dar um novo impulso, uma nova visão ao basquetebol.

Uma nova forma de abordar a gestão do basquetebol tem como intenção o envolver todos os responsáveis da modalidade à volta desse projecto. Todos temos de saber ao que vimos, que trilhos vamos percorrer e onde queremos chegar.

Ao se aproximar o acto eleitoral dos delegados, e tendo em consideração sobre o quanto é importante esta eleição, venho desafiar os treinadores a serem uma vez mais activos naquilo que consideram o que é melhor para o basquetebol.

Como escrevi anteriormente, não me parece correcto patrocinar qualquer delegado, mas parece-me correcto incentivar os treinadores a terem uma voz activa na assembleia delegada por forma a poderem escolher qual o melhor modelo de gestão da FPB e do basquetebol português no futuro.

A eleição dos órgãos directivos da FPB começa a desenhar-se com esta eleição de delegados e por isso a importância da eleição dos delegados.

Ciente que os treinadores sabem qual a responsabilidade deste acto, e do quanto é vital a sua participação, e ajudando-os aos mais desatentos a tirar qualquer tipo de dúvida, junto em anexo o regulamento eleitoral, convocatória para a eleição dos delegados, impresso para candidato a delegado bem como o impresso de subscrição de delegado.

Espero sinceramente, que os treinadores correspondam a este apelo e estejam disponíveis para colaborarem nas decisões que podem condicionar o futuro do basquetebol em Portugal.

António Pereira



Thursday, May 1, 2014

Um momento conturbado na NBA

Nos últimos dias, tenho seguido com muito interesse as notícias acerca das palavras que Donald Sterling proferiu numa conversa privada e que ao serem divulgadas geraram uma onda de repulsa e indignação na sociedade americana e pelo mundo fora.

Não me debruço sobre o conteúdo da conversa divulgada mas sim acerca do poder das marcas/patrocinadores/parceiros comerciais, bem como da própria NBA na defesa da imagem e de todo o aspecto comercial da competição. 

Com três patrocinadores a suspendem de imediato o seu apoio (Mercedez-Benz, CarMax e Virgin America) e outras sete que suspenderam o seu apoio de forma temporária (Diageo, Kia, State Farm, Red Bull, Sprint, Corona, Aqua Hydrate, Burger King e Commerce Horel & Casino) para além da Samsung que suspendeu momentaneamente a sua relação com a equipa mas que recuou a tempo do último jogo, foram levantadas diversas questões por pate dos diversos stakeholders à volta da imagem do basquetebol, da importância das marcas e seus apoios financeiros e repercussão na imagem destas.

A NBA ao tomar a decisão de banir para sempre bem como obrigar o proprietário dos Los Angelos Clippers a vender a sua organização, teve em conta os interesses da modalidade, da sua imagem, bem como o interesse das outras organizações desportivas, colocando-se agora em causa sobre se tem legitimidade no que diz respeito ao obrigar Donal Sterling a vender a equipa.

Este é um sinal inequívoco sobre a importância da gestão de um produto, dos seus patrocinadores e da imagem de quem organiza a competição e equipas que participam na competição.

Assim, duas lições se podem retirar desta situação criada por palavras ditas em foro privado, e tornadas públicas: defesa dos interesses do basquetebol como máxima e o poder dos marketers na defesa das suas marcas e respectivo retorno do investimento.


Esta é uma lição que não nos devemos esquecer mesmo numa competição como a portuguesa: a defesa dos supremos INTERESSES DA MODALIDADE, dos seus CLUBES e dos seus PARCEIROS COMERCIAS.