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Wednesday, September 16, 2015

FIBA – apresenta novo sistema de competição

A FIBA no início desta semana apresentou o novo sistema de competição que terá início em 2017.

Numa conferência de imprensa bem como num workshop onde estiveram presentes diversas Federações Nacionais, o Diretor Executivo da FIBA, Sr. Kamil Novak, o Diretor das Competições e FIBA Sport Sr. Predrag Bogosavljev e o Diretor de Comunicação Sr. Patrick Koller, explicaram as diversas vantagens deste modelo que vai ter ciclos de 15 meses de competição com jogos em casa e fora.

O apuramento quer para o campeonato do Mundo de 2019 bem como para o Eurobasket 2021, no que diz respeito aos países europeus estes serão divididos em Divisão A e Divisão B.

Com o novo sistema os fans terão a oportunidade de dar apoio às suas seleções nacionais, sendo que serão jogados 1250 jogos com a participação de 140 países.

Esta é uma oportunidade para surgimento de novas selecções, de jogadores e uma maior oportunidade para o desenvolvimento de novas parcerias.


Fonte: FIBA 

Tuesday, September 1, 2015

O basquetebol em ….

Num país onde a cultura futebolística predomina, uma das muitas táticas usadas é a do pontapé para a frente, sendo por vezes esta tática também usada ao nível da gestão de algumas organizações do nosso no basquetebol.  

Sem uma liderança forte, sem uma visão ambiciosa mas possível de concretizar e sem uma estratégia bem delineada, restam as medidas avulsas que se parecem mais com o pontapé para a frente do futebol do que com algo pensado e que possa ser executado de forma sustentável levando à questão: será que o basquetebol está na direção de um basquetebol primeiro?

Concretizando o que anteriormente escrevi, parece-me absolutamente incrível e inaceitável que se possa alterar o sistema de competição imediatamente depois dos campeonatos terminarem e poucos meses antes de começar a época seguinte. Qualquer alteração teria sempre de se concretizar na época imediatamente a seguir e não na que vai começar. Pelo respeito pelo trabalho desenvolvido e planeado pelos diversos clubes, pelo trabalho dos treinadores, pelo suor dos jogadores, por uma questão de igualdade de oportunidades, por questões de ética, isto simplesmente não se faz. É um absurdo. Na LPB tal como na Proliga colocam-se algumas questões: Porquê primeira fase e segunda fase? Porque não outro sistema? Porquê oito equipas e não 10 ou menos? Porquê o critério geográfico?

No que diz respeito ao novo formato da LPB, considero que demos mais um passo atrás. Depois das três voltas, isto no tempo em que as equipas da LPB faziam uma jornada em campo neutro ou no tempo que LPB e Proliga se cruzavam uma vez e sem qualquer tipo critério, voltamos a um modelo que há mais de vinte anos se revelou sem interesse. Este, aliás, foi um dos argumentos usados na altura para acabar com a segunda fase da época regular. Compreendo que se pretenda realizar mais jogos mas, fazer jogos só por fazer não traz benefícios a ninguém. Não compreendo.

No que diz respeito à Proliga sabemos que existem mais equipas a norte do que a sul, por isso, será este o melhor critério? A equipa do Olivais Futebol Clube, que perdeu um jogo durante a época regular nas diversas fases da competição e que perdeu o jogo da final do norte, perdendo assim o direito de subir diretamente à Proliga, é seguramente a equipa mais prejudicada. Uma outra questão é saber se o campeonato será competitivo e se desperta interesse. Quanto à questão dos custos, é natural que diminuam, mas não me parece que sejam relevantes, especialmente depois da desistência do Imortal de Albufeira que foi substituída por uma equipa do arquipélago dos Açores.

Um outro motivo de preocupação é o aumento do número de jogadores estrangeiros. Indo contra a tendência europeia onde somente dois países (Espanha e Itália) fazem distinção entre jogadores estrangeiros e jogadores comunitários ou com os quais a Comunidade Europeia tem acordos, surgem, agora, os dirigentes da FBP, que sempre se revelaram defensores do jogador nacional, aumentar o número de jogadores estrangeiros. No que diz respeito aos jogadores que vieram para Portugal durante a sua formação, foi-lhes dada a possibilidade de serem equiparados a jogadores nacionais desde que tenham jogado duas épocas em Portugal até aos sub20. Se o escalão sub20 deixou de existir ao nível nacional porquê os sub20 como critério? Se um jogador vier para Portugal com 19 anos e jogar duas épocas pode passar a jogar como equiparado a um qualquer outro jovem português. Pergunto: será que fez formação em Portugal? Devo dizer que nunca vi nenhum jogador ser formado em duas épocas, mas pode ser que alguém consiga fazer o milagre.

Um outro tema foi o Fórum do Basquetebol Primeiro onde algumas pessoas (poucas que eu saiba) tinham algumas expetativas do que sairia dali. Uma explicação: enviei dois documentos para o email do Fórum como forma de contribuir para a discussão dos temas propostos. No dia 7, pelas 0.40 horas recebi um convite para fazer uma apresentação de cinco minutos. Propus fazer uma apresentação nunca inferior a 15/20 minutos por forma a fazer uma apresentação consistente com os diversos temas que tenho abordado. Tinha pensado em abordar o tema: O rebranding do basquetebol português. Perante o não a este meu pedido, achei que não devia estar presente, continuando a minha estadia no local de trabalho onde me encontrava. Como é óbvio, fico satisfeito que se tenha realizado o Fórum, no entanto, fico desapontado pela quantidade de pessoas presentes - disseram-me que seriam pouco mais de 100 -, número revelador do afastamento e do desinteresse dos agentes da modalidade, e não só, e o pouco interesse dos temas propostos. Também sei que se ficou com a ideia de que pouco ou nada do que ali foi discutido seria colocado em prática.

As questões que se colocam ao basquetebol português são:
- Credibilidade da modalidade;
- Sustentabilidade financeira da FPB, clubes e diversas competições;
- Modelos das diversas competições;
- Plano estratégico do basquetebol;
- Plano de marketing e comunicação;
- A criação da marca basquetebol e seus diversos produtos;
- Captação e retenção dos diversos stakeholders (organizações desportivas, dirigentes, treinadores, atletas, árbitros, patrocinadores, comunicação social, público).

Numa competição dita amadora mas na qual todos auferem vencimentos, sob a forma encapotada de subsídios; na qual os clubes se queixam de que não existem jogadores portugueses de qualidade; na qual os atletas nacionais de qualidade não estão ao alcance financeiro da maioria dos emblemas; na qual os clubes dizem não ter capacidade financeira para fazer face às despesas de participação no campeonato - a competição é gerida por uma organização amadora, por pessoas amadoras, que gerem dezenas de processos ao mesmo tempo, sem uma visão, sem visibilidade, e sem um plano estratégico claro para os problemas.

E quais foram as soluções encontradas pela FPB para fazer face aos diferentes problemas? Aumentar o número de jogadores estrangeiros e aumentar o número de jogos, numa espécie de pontapé para a frente.

Este é o momento em que as soluções devem ser criteriosas, transparentes e que devem emergir no quadro de um grupo de trabalho e com o envolvimento de todas as partes.
Parece-me claro que a resolução destes problemas só é possível quando as organizações desportivas (clubes e dirigentes), atletas (ganhem menos dinheiro, mais dinheiro, sejam profissionais ou amadores), treinadores (sejam estes antigos atletas, tenho pena que não hajam mais, ou professores de educação física), e árbitros (os acusados de que não quererem baixar os prémios mas que não recebem esses mesmos prémios como é público) tenham uma voz ativa e de conjunto na gestão da competição. É fundamental e exige-se uma posição de grupo, onde possam exigir serem geridos de forma profissional, com competência e rigor.

Este é o conjunto de pessoas ou entidades que no dia-a-dia, semana a semana, mês a mês, ano a ano sentem na pele o impacto das más ou boas decisões da FPB, afetando a estabilidade da organização, a carreira dos diversos intervenientes no jogo, profissionais ou não. Estas são as pessoas que podem tirar o basquetebol do lugar em que está. E que já não é o de primeiro das modalidades de pavilhão.

Numa sociedade que gosta das pessoas politicamente corretas, mantenho-me de forma construtiva a dar voz por um ideal, por um sonho, que sei ser possível concretizar. Este não é, aliás, o sonho de uma pessoa só. É o sonho de muitas pessoas do basquetebol e da necessidade de uma modalidade que tem de se adaptar a um mundo diferente, competitivo e inovador, aliás algo que o basquetebol já teve antes de ser atirado para o lugar em que está.

Não há lugar para ilusões, o basquetebol compete numa selva de eventos onde todos procuram atrair público, patrocinadores, a atenção da comunicação social, etc. Não é com medidas avulsas e com uma gestão amadora que resolvemos o problema.

Eu quero o basquetebol num patamar de excelência independente da sua função e do seu status (amador ou profissional) de quem está no basquetebol, quero ver bons jogadores, jogar, equipas a praticarem um bom basquetebol, lideradas por treinadores competentes e dirigidas por dirigentes com visão para que o basquetebol seja, efetivamente, primeiro. 

António Pereira


Sunday, June 28, 2015

Jogadores estrangeiros ! contratar porquê ? como ? com que finalidade ?

Ultimamente diversas pessoas têm falado comigo e tenho lido igualmente diversos textos sobre o percurso de um jogador estrangeiro e como se pode melhorar ou condicionar de forma administrativa a inscrição de um jogador estrangeiro.

Como principio quando se contrata um jogador deve-se colocar uma questão: Qual a importância de um jogador estrangeiro da equipa ?

Para mim e penso que para a generalidade dos diretores desportivos e dos treinadores de um equipa a contratação de um jogador estrangeiro tem como objetivo a melhoria do seu plantel e dotar a equipa de um jogador que contribua para o alcançar um determinado objetivo.

Não é só por esta via que uma equipa pode melhorar, mas esta solução é das que mais impacto pode ter no alcançar os objetivos estabelecidos. Uma outra solução é a contratação de um treinador melhor e trabalho de melhor qualidade.

Mas vamos nos focar na questão do jogador estrangeiro.

Sempre parti de um princípio. Qualquer contratação de um jogador estrangeiro deve ter como condicionante que este tem de ser melhor que os jogadores Portugueses. Não faz sentido não ser assim. Também nunca dei valor á nacionalidade e nunca quis fazer distinção entre jogadores denominados EC e jogadores vindos de outras proveniências nomeadamente vindos dos USA. 

Sempre me pareceu ser uma melhor opção do ponto de vista económico tendo em conta que o que se pretendia era o jogador mais competente.

Deve-se colocar uma questão, quais as condicionantes que estão na origem da contratação de um jogador estrangeiro. Numa primeira fase o orçamento disponível pela equipa e que é talvez o fator mais condicionante. Mas não é o único. O nível competitivo para onde o jogador pode ir jogar e a perspetiva de carreira desse mesmo jogador pode fazer com este aceite ou não ir jogar para uma equipa e para um determinado país.  

Portugal já foi um país que foi visto como um bom local para desenvolver jogadores jovens. Desta forma vieram para Portugal muitos jogadores que estiveram no nosso campeonato durante uma ou duas épocas e depois seguiram a sua carreira num nível mais exigente e onde eram melhores remunerados.

Alguns jogadores mais experientes também vieram acrescentar qualidade ao campeonato de então.
Nessa altura nunca se colocou a questão de onde vinham os jogadores e porquê que nunca se colocou esta questão ? Simplesmente porque os jogadores eram bons jogadores e o basquetebol português evoluiu com isso, os jogadores portugueses evoluíram igualmente porque a oposição no treino e na competição era mais fortes e isso fazia evoluir os jogadores de forma generalizada. O reflexo no nível da competição era evidente.

Resultado desta fase foi o lugar que alcançamos em 2007 no Europeu disputado em Espanha.
Então o que é que se passou seguir ?

Os orçamentos diminuíram abruptamente, a escolha dos jogadores que eram feita de forma muito criteriosa passou a estar condicionada. Muitas das contratações passaram-se a fazer-se através de um scouting ineficaz, os condicionalismos económicos passaram a ter um peso grande, e isso teve como resultado que se colocasse a questão, quem são e de onde vêm os jogadores estrangeiros que jogam em Portugal.

Quero só deixar aqui as seguintes ideias:
- será que jogar na NCAA divisão I é sinal de qualidade ?  não será melhor contratar um jogador que joga e tem estatísticas interessantes num outro nível da NCAA do que contratar um jogador que não tenha rotinas de jogo

- e quanto aos campeonatos Europeus ? se tivermos em conta que o fator financeiro é aquele que mais pode influenciar numa contratação, devemos então colocar quais são os campeonatos com que nos batemos pela contratação de um jogador ?
- e o nível competitivo, será que o nível competitivo do campeonato português é bem visto na Europa ou noutros continentes ?

Podíamos aqui continuar a colocar algumas questões mas a conclusão na minha opinião será sempre a mesma. Observar os jogadores, obter a maior e melhor informação possível, observar os jogadores no seu ambiente natural, escolher os melhores entre os disponíveis e trabalhar muito no dia-a-dia aquando da sua integração no plantel. Sem esta escolha criteriosa e sem trabalho nada se consegue fazer.

Não se pode contratar só por se contratar, é preciso que um jogador estrangeiro seja uma mais-valia para o plantel e para o nosso basquete a questão é fazer as coisas bem-feitas como de resto em tudo.


António Pereira

Wednesday, June 17, 2015

Contributos para Forum Basquetebol Primeiro



 Na sequência da minha intervenção no período anterior às últimas eleições para a direção da Federação Portuguesa de Basquetebol, e da apresentação á atual direção da FPB de um projeto de comunicação durante o mês de março de 2015, submeti dois documentos ao Fórum Basquetebol Primeiro que pode encontrar neste link.



Antonio Pereira

Sunday, June 14, 2015

FIBA – Campeonato Europeu de femininos na Hungria

O Campeonato da Europa em femininos realiza-se de 11 a 28 de Junho na Hungria sendo que a selecção Espanhola é a actual campeã.

Para além do titulo em causa o campeonato da Europa vai servir para qualificar equipas para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e 2016.

A FIBA anunciou que 148 países vão transmitir o evento sendo que 36 são países europeus.

Anunciou igualmente que se pode seguir os resultados de todas as competições através do 
Twitter, no sentido de proporcionar aos fans o acesso mais rápido e na hora através do mobile (smarthphone e tablet) dos resultados.

As hashtags para as 10 competições continentais organizadas pela FIBA servem para qualificar para os jogos do Rio são as seguintes:
AfroBasket 2015 - #AfroBasket2015
AfroBasket Women 2015 - #AfroBasketWomen2015
EuroBasket 2015 - #EuroBasket2015
EuroBasket Women 2015 - #EuroBasketWomen2015
2015 FIBA Americas Championship - #FIBAAmericas2015
2015 FIBA Americas Women's Championship - #FIBAAmericasWomen2015
2015 FIBA Asia Championship - #FIBAAsia2015
2015 FIBA Asia Women's Championship - #FIBAAsiaWomen2015
2015 FIBA Oceania Championship - #FIBAOceania2015
2015 FIBA Oceania Women's Championship - #FIBAOceaniaWomen2015
Portugal não faz parte da lista de países que aderiram à transmissão, ficando de fora da mais importante prova continental no que diz respeito ao basquetebol feminino.

Antonio Pereira


Thursday, May 28, 2015

FIBA – reunião com federações e ligas nacionais

FIBA – acerca da remodelação das competições europeias de clubes, reunião com federações e ligas nacionais

A FIBA organizou um encontro onde estiveram representantes de 15 países (Portugal não esteve representado) por forma a poder discutir o modelo futuro das competições europeias de clubes.

Presentes estiveram representantes quer das Federações quer das Ligas da ÁustriaBélgica, Republica Checa, Inglaterra, França, Alemanha, Grécia, Israel, Itália, Lituânia, Holanda, Polónia, Rússia, Espanha e Suiça e ULEB.

Foi a primeira vez que no seio da FIBA houve uma reunião com as respetivas Federações e Ligas dos diferentes países. O novo formato entrará em vigor em 2017.

Todas as partes concordaram que o papel das seleções nacionais é o de ser a locomotiva do basquetebol em cada país e por isso devem ter total apoio dos clubes e ligas. A reformulação das competições europeias de clubes é fundamental para o crescimento da modalidade e proteção das ligas e dotar os clubes de um modelo de negócio sólido para o futuro.

A discussão foi importante para a discussão de diversos tópicos nomeadamente quanto ao seguro dos jogadores e na questão da gestão do futuro calendário das competições das selecções nacionais.

A próxima reunião será em 2017, tendo a FIBA no sentido de envolver as Federações e Ligas no processo de tomadas de decisão, foram estas convidadas a enviarem as suas propostas para discussões futuras nas questões que afetem directamente as ligas em si e os seus clubes.



António Pereira

Tuesday, March 31, 2015

A Conferência “The Business of Sports”


Estive recentemente em Babson College a convite do casal Lindsey e Justin a fim de participar numa conferência com o título de “The business of Sports”. Babson College é uma universidade de referência nos Estados Unidos da América na preparação dos seus alunos para o empreendorismo e gestão. O valor das propinas é elevado (passa os cinquenta mil euros ano) e o número de alunos é de pouco mais de dois mil. Lindsey e Justin são duas pessoas que se dedicam a causas de solidariedade social na zona de Boston bem como noutros países.

A conferência foi excelente.

A troca de informação foi relevante e destaco aqui alguns tópicos.
O primeiro diz respeito a que o desporto é visto como uma indústria (sports industry) e como tal é assim que deve ser abordada por todas as organizações. Criação de uma marca, os seus sinais identitários, a forma como são percebidos pelo público e a coerência entre estes e as suas práticas são muito importantes para qualquer organização.

A captação e retenção do fan bem como a sua satisfação como cliente é o que a organização tem como finalidade. Como é que materializamos este conhecimento é através das métricas. Sem público, sem audiências, qualquer modalidade deixa de ser relevante e sem significado para existir.

E por fim a questão do marketing desportivo e a comunicação que permitem que a organização se dê a conhecer, que ajuda a crescer e que transforma a organização em algo de relevante para os consumidores, quer através do espetáculo desportivo, quer através do consumo de bilhetes, de merchandising, e outros. Como comunicamos é de salientar a relevância que o mobile atingiu e as diversas plataformas que se podem usar. O fenómeno das redes sociais alterou tudo o que o marketing desportivo e comunicação podem fazer por uma organização desportiva e atletas.

Fiquei extremamente satisfeito com tudo o que ouvi e com o que conversei com as pessoas presentes aproveitando igualmente para melhorar a minha network de contatos. Sobre a praticabilidade de aplicar ao nosso basquetebol uma estratégia de marketing desportivo e comunicação integrada ela é real e só posso ficar satisfeito por aquilo que hoje mais do que nunca é uma certeza, assim todos queiramos.


António Pereira 

Wednesday, March 18, 2015

FIBA disposta a ajudar

O presidente da FIBA o argentino Sr. Horacio Muratore concedeu uma entrevista ao site da FIBA na qual afirmou que pretende conhecer as reais necessidade de cada federação nacional para encontrar os melhores especialistas técnicos que as ajudem. Entende o presidente da FIBA, eleito em agosto de 2004, ser este o papel principal das denominadas FIBA Zone e dos gabinetes regionais entretanto criados.

Sobre a cooperação com a NBA, o líder da FIBA destaca o seu reconhecimento da grande experiência da organização norte-americana nas competições de clubes, sendo o objetivo de Horacio Muratore que as ligas e campeonatos nacionais cresçam e se desenvolvam a todos os níveis, com o apoio de dirigentes, treinadores, árbitros, jornalistas e demais especialistas. Segundo Horacio Muratore, são estes agentes que valorizam o jogo e que promovem este desporto, reconhecimento que é igualmente para os stakeholder’s da FIBA, seus parceiros e patrocinadores.

Refere ainda Muratore que sempre acreditou que as ligas foram importantes para desenvolverem o basquetebol.

Fonte: www.fiba.com


Tuesday, November 18, 2014

O porquê de ...


Terminado o processo eleitoral e com a nova direção da FPB em pleno exercício das suas funções, deve o basquetebol português começar um novo ciclo e como consequência disso este é o meu último texto de um conjunto que teve início em março de 2014.

Desde á muitos anos, que me parece claro que o basquetebol não podia e não devia seguir por trilhos que não levam a caminho algum, e depois de publicado o primeiro texto, senti um grande apoio em relação às ideias então difundidas através no meu blog.

Nesse primeiro artigo, fui claro em relação a dois temas, e deixei outros um outro tema de fora, porque na altura, não tinha um conhecimento suficiente sobre ele.

Em relação ao primeiro tema abordado e que era a composição da lista, reafirmo aquilo que escrevi. Precisamos de pessoas apaixonadas pelo basquetebol, que pensem basquetebol 24h por dia, que nas suas áreas de intervenção sejam pessoas de referência e que sejam capazes de adicionar qualidade a uma equipa que se quer multidisciplinar. É possível gerir a FPB com uma equipa constituída de forma diferente? É claro que sim. Tudo depende da visão do líder e o quanto este acredita no trabalho da equipa e como quer interagir com ela. Cada vez mais as equipas de trabalho são a grande diferença nas organizações e a liderança é fundamental para criar uma visão, valores, e ética, que permitam construir parcerias de sucesso. Por mim prefiro uma equipa que meta as mãos na massa como se costuma dizer, porque os diversos tópicos têm de ser dominados pelos diversos vice-presidentes auxiliado pelos colaboradores federativos, sendo que para tal devem ter conhecimento dos temas e que sejam capazes de tomar decisões. Não é necessário que todas as pessoas estejam localizadas em Lisboa, antes pelo contrário. O não estar localizado em Lisboa pode traduzir-se numa vantagem pelo conhecimento da realidade local e o de fazer envolver as pessoas das suas regiões. No que eu tenho dificuldades é em acreditar que uma gestão que não está presente fisicamente e que quer fazer uso das novas tecnologias por forma a comunicar, seja capaz de ter melhores resultados do que uma gestão presencial. Se assim fosse já as maiores empresas do mundo teriam adotado este tipo de gestão.

No que diz respeito ao tema marketing e comunicação parece-me que existe uma grande confusão e isto porque a maior parte das pessoas não sabem o que é que estas palavras significam e leva-as a confundi-las. Comecemos por dizer que marketing é uma coisa e que comunicação é uma ferramenta do marketing. Comunicar é aquilo que nós fazemos no dia-a-dia, usando as nossas palavras, os nossos gestos, a nossa escrita, etc. Marketing é criar necessidades, desejos, procura, tendo em conta o produto, o valor deste, e o mercado onde está inserido. Marketing e comunicação não são a mesma coisa e publicidade também não. Á mesmo quem confunda ainda mais marketing e publicidade. Só por desconhecimento se pode desvalorizar que o marketing não deve estar presente na chamada alta gestão. Só uma gestão integrada do produto (gestão desportiva do basquetebol que é o produto), com a gestão do marketing e comunicação é que pode levar á concretização da visão a que se propõem. Se assim não for o resultado é quase sempre desastroso e por isso não deve ser tentado. O que é que isto implica? Implica que sempre que sejam tomadas decisões ligadas ao produto (gestão desportiva da modalidade basquetebol) o departamento de marketing terá de estar por dentro das decisões e muitas vezes será este mesmo a dar indicações/sugestões que orientem e condicionem as decisões da gestão do produto (gestão desportiva do basquetebol). Por vezes e muitas vezes na minha opinião deverá ser o departamento de marketing a sugerir ideias ao departamento da gestão desportiva. E que decisões podem ser essas? Em primeiro lugar levar a cabo estudos de mercado. Quantos somos? Quantos nos vêm? E como nos vêm? Que tipo de basquetebol gostam de ver? Que opiniões têm sobre as nacionalidades dos jogadores? O que é que se espera da formação? Que preços estão disponíveis para pagar para ver um jogo de basquetebol? Que papéis os pais desempenham na gestão dos clubes? Que influências têm no desempenho do jovem jogador? Estas serão somente algumas das perguntas que nos permitem perceber como podemos desenvolver o produto basquetebol. Assim parece-me muito difícil que alguém que não esteja dentro da direção da FPB seja capaz de tomar decisões desta natureza, visto que o marketing deve ser orientado para o consumidor e para a sua satisfação e por isso há que ver para além do simples produto sendo que o mix de comunicação deve ser integrado usando as diversas ferramentas de que dispõem. Como tal dizer que vamos procurar patrocínios, que vamos vender merchandising, que vamos isto ou aquilo é só uma promessa baseada num conhecimento empírico, num conjunto de intenções e em algo de que se ouviu falar ou leu, e isso não acrescenta nada a um plano estratégico do basquetebol nacional.
Hoje em dia muitas empresas têm um departamento de marketing (diria que a um determinado nível todas têm um departamento de marketing), e quando decidem apoiar uma modalidade ou um clube querem saber qual o retorno do seu investimento. Que retorno pode dar o basquetebol atualmente? Não sabemos! Não temos a informação que atrás referi e que precisamos, e daí podermos pensar que o valor que o basquetebol tem atualmente será zero ou próximo disso. E esta afirmação baseia-se no número de espetadores ao vivo nos jogos, na cobertura da modalidade pela comunicação social escrita, pelo número de transmissões televisas, pelo número de inserções também nas redes sociais. Como podemos alterar isso? Com uma equipa de gestores desportivos e uma equipa de gestores de marketing que trabalhem em equipa e que procurem soluções. Todas as promessas que não tenham em conta esta abordagem não são sérias e são irresponsáveis. Por exemplo um bom exemplo de como as coisas não funcionam ao nível da comunicação é o sítio da FPB. Não sei quem é que trata da área do marketing digital, de quais os meios de que dispõem, que orientações têm, mas posso afirmar que o que é feito é pouco, muito pouco. Se queremos um basquetebol online então teremos de estar disponíveis para trabalhar ao sábado até às horas que forem necessárias e o mesmo ao domingo. Este é uma área muito sensível e que é fundamental. As pessoas têm de ter acesso á informação na hora e se estão mais do 10segundos á espera que a página descarregue a informação o mais natural é mudarem de página. Quem quer saber o resultado amanhã ou passado muitas horas? Um assunto a resolver com carater urgente aproveitando os bons colaboradores que a FPB terá. A melhoria da qualidade da comunicação da FPB passa também por isto.

Um tema que não abordei por simplesmente não ter conhecimento sobre ele na altura foi o tema relacionado com o estado das finanças da FPB. É preciso saber qual é realmente o atual défice, quais as receitas provenientes do estado, dos patrocínios e outras fontes de receita. Sabemos que existe um buraco financeiro nas contas da FPB e Mário Saldanha sempre se disponibilizou para me proporcionar toda a informação que eu necessitasse. Por isso acho que posso afirmar que para inverter este cenário é fundamental reduzir custos na máquina da FPB e aumentar receitas. Face à conjunta atual não vejo com qualquer possibilidade de sucesso o incremento das receitas provenientes do estado. Assim a única alternativa de aumentar as receitas de uma forma consistente é tornar o basquetebol num produto, sendo necessário para isso elevar os diversos padrões inerentes á competição nomeadamente qualidade dos planteis, do basquetebol praticado, do espetáculo produzido (oferecido ao público), da organização do evento, da organização da competição, da promoção da competição, da promoção do evento, da criação de um departamento de marketing e comunicação na FPB (parece que existe) e em cada clube, levando ao interesse por parte das televisões pelo basquetebol, e consequentemente o aparecimento de patrocínios. As empresas patrocinadoras só se interessarão pelo basquetebol se tiverem a perceção do retorno do investimento quer este seja financeiro quer seja em imagem por estarem associados ao basquetebol. É igualmente importante trabalhar com as associações distritais igualmente nesta áreas por forma a não só haver uma descentralização mas um enriquecimento do basquetebol regional. O basquetebol tem de ser popular e seguido ao nível nacional e não só em determinadas regiões. Muitas outras ideias podiam ser aqui apresentadas mas parece que um conjunto de ideias demasiado exagerado não se foca sobre o essencial e neste momento o essencial e o possível é que é importante. Um conjunto demasiado extenso leva-me a pensar que copiamos o texto de um qualquer manual académico por forma a abrangermos tudo o que lá está escrito e não é isso que se pretende ou que vai nos levar ao sucesso. O que se pretende é obter resultados palpáveis através das ideias que podem ser incrementadas tendo em conta que não há receitas

Como notas lamento que a campanha eleitoral tenha sido levado a cabo para dentro e não para fora. Mais para as associações e delegados e menos para as restantes pessoas do basquetebol. Muitas promessas e só no futuro se verá o que foi cumprido.

Como conclusão gostaria de dizer que sem uma visão clara e uma ação conjunta e firme destes setores, sem uma envolvência dos clubes quer ao nível dos dirigentes, treinadores, e jogadores não é possível alterar o estado em que se encontra o basquetebol. Aos juízes e oficiais de mesa espera-se que contribuam para um basquetebol mais transparente quanto ao vencedor e possibilidade de ver os espetáculos possíveis ao longo da época desportiva. Mais que fazer documentos longos e extensos ou propostas demagógicas o que era preciso era apontar soluções que não levantassem quaisquer tipos de dúvidas relação a estes temas e isso parece-me que ficamos além do esperado.
Cabe no futuro tal como no passado á direção da FPB colocar os agentes da modalidade em consonância e guiar o basquetebol para outro nível de espetáculo ao nível sénior e de uma formação que esteja mais de acordo com os desafios que os jovens gostam, que querem e necessitam de ter no século XXI.

Durante este período escrevi catorze textos, procurando contribuir para uma discussão séria sobre o basquetebol português de uma forma construtiva e a apresentando propostas concretas para determinados problemas. Agradeço aqui os contributos dados por diversas pessoas que estão tão empenhados e que amam o basquete da mesma forma que eu, agradeço igualmente todos os tipos de comentários que foram feitos, os emails respondidos ou telefonemas simples que proporcionaram conversas agradáveis, e que vieram por parte de diferentes pessoas ligadas ao basquetebol.
Este é o último artigo que é publicado no meu blog (http://apbasketball.blogspot.pt/). No futuro, não quero que haja qualquer tipo de interferência entre a minha atividade profissional e a minha opinião como pessoa ligada ao basquete desde 1969. Assim um novo espaço acolherá os meus textos e que será divulgado oportunamente.

Aos agora eleitos, o desejo de boa sorte no desempenho das suas funções. De mim, podem contar com a minha paixão pelo basquetebol e com uma cidadania ativa no sentido de ajudar a que o basquetebol ultrapasse as dificuldades atuais.

António Pereira


Monday, November 3, 2014

Correção - Um passo de gigante e um passo de caranguejo


Por vezes escrevemos palavras que não são bem aquilo que queremos dizer e por isso aqui vai a minha correção no que diz respeito ao sector da arbitragem e dos jogos não realizados no fim de semana.

Do ponto de vista pessoal não tenho dúvidas sobre a qualidade da arbitragem portuguesa. Já vi diversos árbitros portugueses a dirigirem jogos ao vivo no estrangeiro e é daqueles momentos em que nos sentimos orgulhosos de sermos tugas.

É do meu conhecimento pessoal, que há muitos anos que existe um acordo entre a entidade organizadora das competições (Liga Portuguesa de Basquete e depois Federação Portuguesa de Basquetebol) e a ANJB, para que esta possa levar a efeito o seu clinic internacional. A FPB tem inclusivamente esta data assinalada no documento da conferência do calendário. Contudo, não me parece que logo após o início das competições seja a melhor data para levar a efeito um momento tão importante como este. Parece-me que seria aconselhável encontrar uma solução que não leve ao cancelamento dos jogos, que tenhamos de estar sujeitos ao árbitros que estão disponíveis para dirigir jogos, quer sejam eles a que nível for. Uma consequência de tal pode ser que as pessoas bem como a comunicação social se afaste da modalidade. É necessário perceber que quando uma equipa começa os treinos deve começar a crescer em rotinas e os jogadores em forma física e técnica. Por seu lado e do ponto de vista do marketing e comunicação há necessidade de criar a vontade das pessoas irem ao pavilhão, há necessidade de dar informação sobre os jogos, de falar das equipas, há necessidade de o basquete ser falado. Ora um clinic logo após o início de um campeonato não é a melhor data. Foi isto que se quis dizer.

Espero que a arbitragem continue a melhorar e dignificar o basquetebol português como até agora tem feito e sei que muitos têm investido os seus recursos financeiros para tal. Reconheço que foram os agentes da modalidade que melhor se organizaram nas eleições para os delegados á AG da FPB e ambas as listas têm um documento estratégico que me fizeram chegar e que aqui agradeço.

Por isso e apesar de o texto não ter sido o melhor, a intenção não foi afrontar ninguém, mas teve a virtude de colocar as pessoas a falar de basquetebol, de ter sido disponibilizados documentos e isso só contribui para um basquetebol mais falado. Por mim podem contar com a ajuda para congregar toda a família do basquetebol e não criar a divisão desta. Todos somos poucos para melhorar o bom nome do basquetebol.

Espero que o José Cassapo como representante da ANJB aceite as minhas explicações e desculpas.

António Pereira




Sunday, November 2, 2014

Um passo de gigante e um passo de caranguejo


1. As competições de clubes já começaram um pouco por todo o Mundo. Passos de gigante têm sido dados em várias vertentes, nomeadamente na área do marketing e comunicação em diversos campeonatos que, infelizmente, não o de Portugal.

Ao abrir o sítio da FIBA somos informados sobre o número de pessoas que seguem a sua página através das redes sociais Twitter, Facebook, Youtube, e Mobile App. O mesmo sítio dá-nos ainda a possibilidade de subscrever a sua newsletter diária.

Em Espanha, nomeadamente a Liga ACB, acabou com o seu famoso guia da ACB. Melhor dizendo: acabou em papel e passou a ser exclusivamente digital, sendo que desta forma passou a estar disponível para muitas mais pessoas, em todo o Mundo, de forma gratuita e ecológica. Não é por acaso que a ACB quer afirmar-se como o segundo campeonato mais importante do Mundo, logo a seguir à NBA.

Ao nível da NBA, as notícias são demasiado importantes para passarmos ao lado delas. As equipas da NBA bateram o recorde de vendas de bilhetes anuais de ingressos. Para isso muito contribui o departamento de marketing de cada organização desportiva, que trabalham a sério, quer seja na rua, quer ao telefone a vender o seu produto.

Ainda ao nível da NBA, o número de atletas internacionais ultrapassou o número 100. Isto significa que, potencialmente, haverá mais pessoas espalhadas pelo planeta a ver jogos da NBA.

Steve Ballmer, ex-CEO da Microsoft que recentemente comprou os Los Angeles Clippers, está a fazer tudo o possível para que a interação com o público seja uma mais-valia para o espetáculo desportivo da sua equipa e por isso vai lançar uma aplicação onde os espetadores podem escolher a jogada que querem ver a ser repetida no marcador eletrónico e onde aparecerá o nome do contemplado.

Para mim, a publicação do vídeoclip Together, (http://www.youtube.com/watch?v=n6S1JoCSVNU&feature=youtu.be) sobre o regresso de Lebron James, aos Cleveland Cavaliers e á cidade de Cleveland vai ficar para a história do marketing desportivo pelo impacto que teve ao nível da sua comunidade e ao nível global. Se ainda não viu não perca.

2. Por cá, em Portugal, os passos não são de gigante. Nem perto nem de longe.

Um dos temas quentes é a estatística. Será que não conseguimos fazer a estatística de um jogo e colocar a informação online? É difícil de acreditar mas parece que é uma realidade. Por vezes, até saber os resultados dos jogos é difícil. E porquê? Já vi diversos jogos do sector feminino onde as equipas nem sequer apresentam 10 jogadoras (foram vários e locais diferentes do país e clubes diferentes). Não é este o sector de referência em Portugal para o nosso basquetebol?

Neste fim de semana, mais uma vez algumas competições não tiveram jogos, as equipas da 1ª divisão (terceiro nível competitivo - detesto mesmo este escalonamento de nomes) vão ficar sem jogar bem como as equipas de formação, motivo: há uma reunião de árbitros. Coitados dos dirigentes, dos treinadores e jogadores. Eles que pagam para jogar têm de parar para haver uma reunião de árbitros, que são pagos para desenvolver a sua função.

Quanto ao tema eleições para a Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) parece que é um assunto que não tem suscitado um grande interesse público. Muito por culpa da letargia que a modalidade vive, pela forma como os envolvidos escolheram fazer as suas campanhas. Isto é, um tour pelas diversas associações do país onde poucas são as presenças. A ausência de um debate de ideias é significativa. E prenuncia que dificilmente algo será mudado na gestão da FPB.

Todos sabíamos que as eleições seriam entre o mês de Setembro ou Outubro. E que duas pessoas se perfilaram como candidatas.

Não é assim aceitável que não estejam preparadas, que não tenham constituído as suas equipas de trabalho a tempo e horas e divulgado, que não tenham um programa, que não tenham soluções, que não tenham recursos para os diversos dossiers.

Não é aceitável que somente apresentem desculpas, alegando que não se sabe como resolver o problema ou a crise. A crise pode condicionar mas não é aceitável como desculpa. Até será descabido, porque a maior parte das pessoas não anda basquetebol por dinheiro, ainda que, na minha opinião, a FPB deva ser dirigida por profissionais.

Por isso, precisamos de pessoas com competência, disponíveis e apaixonadas pelo basquetebol. Pessoas que pensem o basquetebol durante as 24 horas do dia. Que acordem a pensar basquetebol, que passem o dia a trabalhar e a pensar basquetebol e que durmam a sonhar basquetebol.

Não precisamos de pessoas que tenham a sua vida de tal forma ocupada que ainda vão ter de se preocupar com o basquetebol, modalidade que, porventura, lhes deve dizer muito, mas que exige deles mais do que podem dar infelizmente.

Uma outra preocupação e até surpreendente são que o sector de marketing e comunicação esteja completamente ausente do lote dos vice-presidentes de uma das listas. Não se percebe. Já ouvi dizer que essa função seria desempenhada por alguém de fora da federação e pro bono. Por favor! Quem paga as contas deles? Em muitos sectores, a “borla” e a “graça” significa muito pouco trabalho, pouco empenhamento. Espero estar enganado.

Da leitura da situação espera-se pouco de uma possível alteração de procedimentos. A FPB vai continuar a ser dirigida por três/quatro pessoas, que gerem o dia-a-dia e que já lá estavam, e essa não é a minha visão nem de muitas outras pessoas.

Como tal, pode significar a possível continuidade daquilo que foi feito, a preocupação com o presente, e pouca atenção a uma perspetiva de futuro.

Dificilmente aceito que Mário Saldanha seja o único responsável de tudo o que se passou de mal na FPB. Sê-lo-á como líder, mas também fez coisas boas. É preciso saber honrar o passado, e isto é algo que nem todos sabem fazer. Distanciarmo-nos quando nos convém não me parece correto.

Espero que não cheguemos à situação de pensarmos que mais valia ter ficado Mário Saldanha. Pois o maior problema deste dirigente foi o de não saber rodear-se de pessoas competentes, disponíveis e profissionais.

3. Um alerta: espero que os delegados da Assembleia Geral da FPB não tenham jogos marcados para o dia das eleições. Seria uma vergonha para a modalidade.

4. Uma curiosidade: pensei em assistir a uma sessão de esclarecimento de candidatos à FPB numa associação. Fiz um contacto com um responsável. Disseram-me que a sessão não era pública. Será por coisas como esta que o basquetebol não é público?


António Pereira

Monday, October 20, 2014

Razões para uma não candidatura


Em finais de fevereiro fui contactado por algumas pessoas que pretendiam saber qual a minha opinião sobre as futuras eleições na FPB, bem como averiguar o meu eventual envolvimento.

Respondi que estava unicamente focado em terminar a minha dissertação de mestrado em Marketing e Comunicação, tomar uma decisão face à hipótese de avançar para um doutoramento e, em termos profissionais, continuar a desenvolver a minha empresa fora de Portugal.

Disse, ainda, que iria dar a minha opinião por escrito e publicá-la no meu blogue. Na sequência de tal decisão, escrevi um primeiro texto com o título “Acerca das eleições para a FPB – 2014”.

Ao mesmo tempo, defendi junto dessas pessoas que se deveria convidar elementos de diferentes áreas da modalidade para, em grupo, participar num debate construtivo, criando envolvimento num projeto que se pretendia global e participativo.

Posteriormente, devia ser indigitado um candidato a presidente que refletisse a vontade do grupo, a sua capacidade de liderança e de diálogo perante os demais e perante as gentes do basquetebol.

Isso não foi possível porque, de entre as pessoas que, na nossa óptica, poderiam constituir a injeção de “sangue novo” na modalidade, houve quem, simplesmente, tenha demonstrado indisponibilidade ou falta de interesse.

Optei, então, por continuar a escrever, no sentido de contribuir com as minhas ideias para um melhor basquetebol.

Fui candidato a candidato porque algumas dezenas de pessoas se identificavam com o que escrevi e me perguntaram se eu estaria disponível para avançar.

Não passei de candidato a candidato porque nunca senti que as pessoas estivessem verdadeiramente unidas à volta de um projeto que refletisse mudança, tendo em vista um basquetebol melhor - fosse ele liderado por quem fosse.

Por fim, não escondo que muito dificilmente se reuniriam condições, a nível federativo, que me fizessem abandonar a atividade que atualmente (e há mais de 20 anos) exerço em Portugal e além fronteiras mas, o apoio que recebi da parte de clubes, treinadores, jogadores e árbitros fica registado e poderão contar comigo para futuras lutas.

Ainda assim, deste percurso de cerca de oito meses, há aspetos a destacar.

Positivo:
- As milhares de pessoas que leram os meus textos. Algumas fizeram críticas, outras deram sugestões, e algumas até me incentivaram a candidatar.

- Sinto que dei um contributo - o contributo que me era possível neste momento - através dos meus textos para que se refletisse sobre o basquetebol.

- Conheci quem goste de basquetebol e que não queira saber se na cadeira de presidente está fulano A, B ou C. Querem um basquetebol melhor, querem que o basquetebol avance num sentido concreto e que a modalidade seja algo de que todos nós nos possamos orgulhar.

Negativo:
- A falta de envolvimento das pessoas da minha geração e das gerações anterior e  posterior.

- O discurso que já ouvi no passado “dou a minha opinião mas não quero envolver-me”. Parece indicar que há receio de punição por se ter opinião. Já aconteceu isso há quatro anos. Voltei a ouvir agora.

- Entre os dois propalados candidatos à presidência da FPB, nenhum apresentou programa ou até mesmo o nome dos elementos que compõem a lista publicamente fazendo-o somente no último dia da entrega das listas. E não divulgaram publicamente qualquer ideia sobre o basquetebol. Será isto positivo? É assim que se vai envolver as pessoas ? Que mensagem é que queremos passar para o exterior? Não parece positivo para o envolvimento dos diversos agentes do basquetebol num projeto nacional. Cada candidato faz o que achar melhor para ele mesmo, mesmo que isso não traduza o melhor para o basquetebol.

Em suma, esta foi uma experiência enriquecedora do ponto de vista pessoal e não vai ser esquecida. Antes pelo contrário. E no futuro, tudo será devidamente ponderado.

António Pereira