A
NBA anunciou os cinco iniciais do Este e do Oeste onde destaco a ausência de
jogadores interiores em cada conjunto.
Coloco
as seguintes questões:
Qual
a razão de não haver jogadores interiores?
O
que é que isso significa?
Qual
o impacto no futuro do jogo?
K.
Bryant foi o jogador que obteve mais votos mais propriamente 1 891 614,
seguido de Stephen Curry a que não deve ser alheio o fato de ser a sua última presença.
Estes
são os cinco iniciais de cada conferência.
Conferência
de Este
G —Dwyane Wade, Miami Heat
G —Kyle Lowry, Toronto Raptors
F —LeBron James, Cleveland Cavaliers
F —Paul George, Indiana Pacers
F —Carmelo Anthony, New York Knicks
Conferência do Oeste
G —Stephen Curry, Golden State Warriors
(third selection)
G —Kobe Bryant, Los Angeles Lakers
(18th selection)
G —Russell Westbrook, Oklahoma City
Thunder (fifh selection)
F —Kevin Durant, Oklahoma City Thunder
(seventh selection)
F —Kawhi Leonard, San Antonio Spurs
(first-time All-Star)
Os
restantes jogadores serão anunciados no dia 28.
O jornal Expresso publicou um artigo
que destaca o valor do surf e o retorno que a marca representa para os
parceiros de negócio desta modalidade.
Já no primeiro texto que publiquei
no meu blog em março de 2014 (ver link no fim do texto), abordo e sublinho
a necessidade de criar a marca basquetebol e da obrigatoriedade desta se
distinguir das restantes modalidades.
E como atingir este objetivo? Há que
criar a marca ou fazer o rebranding daquilo
que existe, ter uma visão clara do que se pretende e, depois, envolver as
organizações e agentes desportivos, através de uma liderança congregadora,
dinâmica, moderna e visionária. É este o (único) caminho para o sucesso.
O que sobressai na atualidade do
basquetebol português é a ausência do que atrás referi.
Partindo da necessidade de
conquistar credibilidade, criar sustentabilidade e atingir o equilíbrio
financeiro, há que fomentar a formação de jogadores, organizar quadros
competitivos ajustados à realidade e coerentes, desenvolver uma estratégia de
basquetebol em paralelo com um plano de marketing e de comunicação. Assim se
gera valor para o basquetebol e para os parceiros de negócio.
Estas ideias levam-me a questionar:
o que tem sido feito para inverter o rumo do basquetebol português? Cativar
adeptos e interagir com eles nos jogos ao vivo? Como tirá-los o sofá? no fundo
como persuadir os fans a ir ver um
jogo de basquetebol ao vivo. Ainda não vi... Seduzir parceiros negócios? Não
tenho conhecimento de nada...
Deveriam ser estes os princípios
norteadores do trabalho de quem pretende fixar a marca basquetebol em primeiro
lugar e na tentativa de lutar pela atenção de audiência e patrocinadores.
O público dá as respostas, nunca
está errado e a sua opinião não pode ser menosprezada. É ele o melhor juiz do
que é organizado nos gabinetes e nos corredores das decisões e que no passado já
lotou as bancadas dos pavilhões, tornando-se nos melhores embaixadores da marca
basquetebol, numa altura em que as ferramentas de marketing e comunicação eram
quase inexistentes.
Sem uma visão do que se pretende, do
que somos, do caminho que precisamos percorrer, onde queremos chegar e qual a
estratégia a usar, com poucos espectadores e patrocinadores, sem recolher
informação (data), atrevo-me a dizer
que o basquetebol em Portugal vale... zero! Já o surf está nos 400 milhões de
euros. Quanta diferença!!!
O número é
indicativo e “até pode pecar por defeito”, garante Francisco Rodrigues,
presidente da Associação Nacional de Surfistas (ANS).
Esta
organização é a única que até agora fez um estudo do impacto económico do surf
em Portugal e os resultados baseiam-se na soma de três parcelas: a indústria do
surf (que inclui as várias dezenas de empresas que trabalham nesta área, as
escolas de surf, as lojas de venda de pranchas e outros adereços e, não menos
importante, os eventos que se vão multiplicando por toda a costa); o turismo
associado ao surf, que conta com milhares de estrangeiros que todos os anos se
deslocam a Portugal; e, em terceiro lugar, o contributo que é dado pelos mais
de 212 mil surfistas residentes em Portugal (dados de 2012), que ao longo de todo
o ano produzem receita sempre que praticam o seu desporto favorito.
VALOR PODE
‘DISPARAR’
Mas há um
quarto fator que ainda não foi contabilizado no estudo da ANS, o qual, segundo
Francisco Rodrigues, pode fazer ‘disparar’ o valor referência dos €400 milhões
anuais. “É que está a aumentar todos os anos o volume de negócios da indústria
têxtil nacional, que atualmente já se dedica quase em exclusivo à produção de
linhas completas para marcas de renome mundial, que vendem roupa associada ao
surf.” A maioria esmagadora desta produção segue para os mercados
internacionais.
O
presidente da ANS tem a noção de que o número que está a veicular “não tem base
científica”, mas diz ter a certeza absoluta de que “estamos a ser muito
conservadores nas estimativas que fizemos e basta ver a adesão crescente à
modalidade em cada ano que passa e à forma quase viral como Portugal é seguido
à escala global por todos os adeptos desta modalidade”.
Nos Estados
Unidos, onde as ondas gigantes da Nazaré já estão a ir buscar ‘mercado’, o
impacto económico do surf ronda os €6 mil milhões anuais, segundo Mark Noonan,
administrador com a área comercial da World Surf League, que esteve
recentemente em Portugal.
PENICHE GERA MAIS
DE €13 MILHÕES NUMA SEMANA
Embora numa
escala completamente diferente, na ordem de grandeza dos números, só a prova
Rip Curl Pro 2013, em Peniche — que conta para o campeonato do mundo de surf —
, rendeu €13,3 milhões em receitas, apenas numa semana. No ano seguinte subiu
para €13,6 milhões, número que este ano poderá ter aumentado, até porque houve
mais surfistas, mais público e mais promoção a nível mundial que nos anos
anteriores.
António
Correia, presidente da Câmara Municipal de Peniche, conta que está à espera dos
resultados do estudo de impacto económico da prova, que se realizou há duas
semanas. Entretanto, recorda alguns números do ano passado: só as transmissões
televisivas do Moche Rip Curl Pro Portugal atingiram uma audiência global de
299,5 milhões de pessoas, tendo a transmissão online registado mais de 19
milhões de visualizações. Durante os dias da prova passaram pelas praias de
Peniche 138 mil pessoas.
Um estudo
da World Surf League concluiu que as três provas de seniores realizadas em
Portugal Continental em 2014 (Moche Rip Curl Portugal Pro, Cascais Billabong
Pro, Cascais Women’s Pro), tiveram um retorno mediático total de €46 milhões,
dos quais €28 milhões relativos à prova de Peniche. É como se Portugal tivesse
investido aquele valor na promoção da sua imagem à escala global, nota
Francisco Spínola, presidente da Ocean Events, entidade organizadora da prova.
Quatro anos
depois de Garrett McNamara ter surfado uma onda de 27 metros, os recordes de
visitantes continuam a ser quebrados na Nazaré. Walter Chicharro, presidente da
autarquia, conta que nos últimos 10 meses o farol da Praia Grande foi visitado
por mais de 110 mil pessoas, e o histórico ascensor que liga a vila ao alto da
falésia este ano deverá transportar perto de 900 mil pessoas, contra 640 mil em
2014.
É lá em
cima que se avistam melhor as ondas gigantes que correm mundo sempre que um
surfista tenta bater um novo recorde. Dados do Turismo de Portugal mostram que
em novembro e dezembro do ano passado a Nazaré teve mais notícias
internacionais que Lisboa.
Os
investimentos na hotelaria da Nazaré multiplicam-se e somam já €30 milhões e as
receitas na restauração sobem à razão de 50% ao ano. Mas o melhor ainda está
para vir: um investimento de €1000 milhões, de capitais suíços e alemães, num
megaprojeto turístico cujas taxas municipais seriam suficientes para liquidar a
dívida da autarquia, uma das mais elevadas do país.
MAR DE
OPORTUNIDADES
299,5milhões foi o número de pessoas alcançadas pelas transmissões
televisivas do Moche Rip Curl Pro Portugal, realizado em Peniche.
€46milhões foi o valor mediático das três principais provas de surf
realizadas no ano passado em Portugal, segundo a World Surf League.
€1000milhões pode ser o valor do próximo grande investimento turístico
em Portugal, na Nazaré.
Foi na Casa do
Basquetebol que a FIBA recebeu a ULEB (Union
od European Leagues of Basketball) e representantes das ligas
Belga, Francesa, Alemã, Greca, Israelita, Italiana, Lituana, Holandesa, Polaca,
Espanha, Turca, Liga Adriática, e VTB League que cobre 25 países, e onde foi
discutida a visão futura do basquetebol profissional. Portugal não esteve
presente como se pode constatar.
A FIBA quis ouvir as
opiniões dos diversos participantes acerca da reformulação do sistema
competitivo ao nível de clubes na Europa, quer ao nível do formato, processo de
qualificação, calendário da competição, benefícios comerciais, despensa dos
jogadores para as respetivas seleções nacionais, seguro desportivo ao serviço
das seleções nacionais.
Foi dada a conhecer aos
presentes os ambiciosos planos da FIBA no que diz respeito quanto ao futuro do
basquetebol na Europa que se considera longe do seu potencial. FIBA considera
que este crescimento só é possível com todos os interessados a trabalhar como
uma unidade, reconhecendo que é importante ter os mesmos objetivos, e partilhar
os mesmos valores.
A necessidade das competições
domésticas, competições europeias de clubes e seleções nacionais são vitais
para o desenvolvimento do basquetebol.
Estas são as conclusões
em inglês da press released emitida
pela FIBA
The attendees welcomed the following important and
historical measures to integrate clubs and leagues further within the FIBA
family:
- European clubs and leagues representatives shall have dedicated seats as full
voting members within the Board of FIBA Europe;
- FIBA Europe's Advisory Board to the new FIBA Europe Cup shall include
representatives of clubs and ULEB;
- FIBA will establish a Professional Basketball Council (PBC) as an official
body of FIBA. Among the terms of reference of this new body, as approved by the
attendees, will be the promotion of unity among all professional basketball
stakeholders as well as preserving the interests of clubs and leagues within
FIBA;
- Representatives of FIBA Europe will be invited to attend ULEB's General
Assemblies;
- ULEB shall appoint - in consultation with FIBA - a permanent representative
to act as European national leagues liaison in order to facilitate a much
closer cooperation between ULEB, its member leagues and FIBA. FIBA will provide
ULEB with financial and administrative support for this person, who will coordinate
ULEB's efforts with the competition departments of the European Regional Office
and of the FIBA headquarters.
É sempre salutar observar consensos quando duas partes
mantinham posições extremadas. Aliás, não consigo avaliar quem não fique
satisfeito com esta situação.
O recente conflito entre a Federação Portuguesa de
Basquetebol (FPB) e a Associação Nacional de Juízes de Basquetebol (ANJB) veio
demonstrar, uma vez mais, que agestão damodalidadenecessita de
ser repensada.
O acordo que saiu do encontro mantidoentre ospresidentes
Manuel Fernandes e Paulo Alves permite antever que se abre uma janela para a
resolução de uma boa parte dos problemas.Porque é isso
que,agora, toda a gente estáà espera, que
os problemas sejam realmente atacados e não protelados.
A questão das tabelas de arbitragem e das dívidas aos juízes
foram os pontos divergentes, no qual toda a gente se focou, mas por detrás
desse mesmo conflito está uma incapacidade, impossível de esconder, da
estrutura da FPB em revelar-seproativaperante as
dificuldades.
Não me parece que a FPB pretenda correr o risco de voltar a
incorrer nos mesmos erros – algo que insistiu nos últimos anos, por o boicote
dos árbitros ter sido reincidente, embora esteúltimotenha sido o
episódio mais grave – e aproveite esta ocasião para, finalmente, transmitir uma
imagem de dinamismo e evolução no tempo.
Urge definir um plano estratégico, não apenas desportivo, mas
transversal às diferentes áreas de intervenção da FPB.
Tenhoa certeza que
existe muita gente com vontade e disponibilidade de colaborar nesse documento,convicção que
reforçopeloscomentários
analisados nas redes sociais.
Se queremos mudar o basquetebol temos deolhar para o
passado e identificar o quese fez de bem
e o que se fez de errado,análisequenosajudará a
traçaro rumo ambicionado, construindo com as
pessoasum futuro que se desenvolveàvelocidade da
luz.
O estado atual do basquetebol é parecido com uma grande
família que não se entende dando assim uma imagem negativa para o exterior.
Mas será que nos últimos anos, houve paz na família
basquetebolista?
No sentido de contribuir para uma melhoria do ambiente no
basquetebol tenho escrito diversos textos, textos esses que normalmente têm
propostas estruturantes para a nossa modalidade e que antecipam problemas.
Aliás um dos grandes males do basquetebol português destes últimos anos tem sido
sempre o de correr atrás do prejuízo, tornando-se reativo em vez de
pró-ativo.
Mas esta dificuldade em arrancar a época era um cenário
previsível. Os Clubes não gostaram do modelo competitivo nomeadamente quanto ao
aumento das despesas. Os árbitros não gostaram de saber por outros que os seus
prémios iriam sofrer um corte, e de uma forma algo natural previa-se o que veio
a acontecer.
Aliás esta falta de atitude pró-ativa de todos os envolvidos
na modalidade levou o basquetebol á falta de credibilidade, á falta de sustentabilidade
e aqui não falo só do problema financeiro mas também de outros aspetos que
contribuem para os diversos itens da sustentabilidade tal como a formação, á
falta de apoios através da falta de parcerias ou dificuldades em as
concretizar, do problema de não gerar receitas, da necessidade de captar e como
o público, e da ausência do espetáculo ou até mesmo da incerteza do resultado.
Neste cenário não é possível colocar o basquetebol em
primeiro, nem sequer em segundo.
Por forma a colmatar este problema e recuperar a paz há
necessidade de envolver as diversas parte na solução do problema.
Uma dessas fórmulas pode muito bem ser o de criar um conselho
de gestão das competições onde várias partes estejam presentes no sentido de
estudar os problemas, antevendo cenários, agindo em prol do basquetebol num
cenário onde os contributos das diversas partes são importantes.
Este conselho de gestão deve gerir uma ou mais competições sem
retirar a legitimidade e autoridade ao Presidente da FPB, mas bem pelo
contrário dando-lhe legitimidade e força. Neste conselho devem estar
representantes da FPB, dos clubes, de treinadores do nível competitivo
correspondente como representantes da ANTB ou não, da ANJB, e da associação de
jogadores quando estes quiserem e tiverem uma associação ativa e representativa
dos diversos atletas. Neste grupo devem estar ainda pessoas ligadas ao
marketing e comunicação porque estas duas áreas são fundamentais para qualquer
organização que se queira afirmar num mercado competitivo e não tenho dúvidas
que este é um mercado altamente competitivo e disputado.
Existe uma expressão do género ”não te ponhas a inventar que
já está tudo inventado”, e nesta situação não estamos a inventar nada. A NBA
tem o conselho dos governadores onde se fala dos problemas encontrados e das
soluções possíveis. Depois de um tempo de reflexão o dito conselho volta a
reunir para os temas serem novamente discutidos sendo na sequência disso
aprovado ou não.
É claro que a NBA tem uma missão clara e uma visão que não
deixam dúvidas, os valores que defendem e a o seu logo, fazem parte da sua
identidade e todos sabem do que se espera da NBA quando este nome é referido.
Mais que inventar é preciso adaptar os bons exemplos das
organizações e felizmente a NBA é uma delas existindo a necessidade pensar fora
da caixa ou ver o grande quadro “the big picture” da situação.
A realidade do basquetebol nacional é diferente. Os diversos
clubes têm problemas diferentes. estruturas e realidades diferentes a diversos
níveis, os treinadores a mesma coisa, uns são profissionais e outros embora
muitos tenham uma atitude profissional exercem uma outra profissão.
Em relação
aos jogadores a mesma situação, uns são profissionais e outros ganham algum
dinheiro mas são estudantes ou trabalham mesmo. Em relação aos árbitros que
muitos falam e escrevem sobre a sua qualidade mas que neste momento são os
primeiros a mandar pedras, tenho a ideia de que existem alguns que são muitos
bons, que existe um conjunto alargado com bastante potencial e depois temos as
assimetrias regionais ou nacionais.
Com tanta dispersão de realidades e interesses só uma grande
capacidade de gerar consensos pode tirar o basquetebol do abismo onde se
encontra. E deste modo não é fácil um grupo tão restrito de pessoas como o que
gere a FPB (Federação Portuguesa de Basquetebol) ter sucesso. Usando mais uma
expressão “como os mesmos procedimentos repetidos sistematicamente não podemos
esperar resultados diferentes”.
Há distância de um teclado ou de um microfone é fácil
escrever nas redes socias ou falar numa rádio ou televisão, mas de uma forma
consciente podemos afirmar que os diversos stakeholders
do basquetebol estão cansados e zangados com este basquetebol que não serve
ninguém.
Este pode ser o momento que o basquetebol precisava para unir
a família e colocar no top das prioridades o envolvimento de todos para que o
basquetebol recupere o prestígio, até porque adiar pode ser o despertar de
novos problemas que se advinham.
António Pereira
Nota de esclarecimento: Este texto foi escrito no dia 11 de
Outubro de 2015 e disponibilizado no mesmo dia e seguintes a pessoas diversas e
teve como objetivo o contribuir para uma reflexão sobre os problemas atuais do basquetebol português.
A FIBA no início desta semana apresentou o novo sistema de
competição que terá início em 2017.
Numa conferência de imprensa bem como num workshop onde estiveram presentes diversas
Federações Nacionais, o Diretor Executivo da FIBA, Sr. Kamil Novak, o Diretor
das Competições e FIBA Sport Sr. Predrag Bogosavljev e o Diretor de Comunicação
Sr. Patrick Koller, explicaram as diversas vantagens deste modelo que vai ter
ciclos de 15 meses de competição com jogos em casa e fora.
O apuramento quer para o campeonato do Mundo de 2019 bem como
para o Eurobasket 2021, no que diz respeito aos países europeus estes serão
divididos em Divisão A e Divisão B.
Com o novo sistema os fans
terão a oportunidade de dar apoio às suas seleções nacionais, sendo que serão
jogados 1250 jogos com a participação de 140 países.
Esta é uma oportunidade para surgimento de novas selecções, de
jogadores e uma maior oportunidade para o desenvolvimento de novas parcerias.
Num país onde a cultura
futebolística predomina, uma das muitas táticas usadas é a do pontapé para a
frente, sendo por vezes esta tática também usada ao nível da gestão de algumas
organizações do nosso no basquetebol.
Sem uma liderança forte, sem uma visão ambiciosa mas
possível de concretizar e sem uma estratégia bem delineada, restam as medidas
avulsas que se parecem mais com o pontapé para a frente do futebol do que com
algo pensado e que possa ser executado de forma sustentável levando à questão:
será que o basquetebol está na direção de um basquetebol primeiro?
Concretizando o que anteriormente escrevi, parece-me
absolutamente incrível e inaceitável que se possa alterar o sistema de
competição imediatamente depois dos campeonatos terminarem e poucos meses antes
de começar a época seguinte. Qualquer alteração teria sempre de se concretizar
na época imediatamente a seguir e não na que vai começar. Pelo respeito pelo
trabalho desenvolvido e planeado pelos diversos clubes, pelo trabalho dos
treinadores, pelo suor dos jogadores, por uma questão de igualdade de
oportunidades, por questões de ética, isto simplesmente não se faz. É um
absurdo. Na LPB tal como na Proliga colocam-se algumas questões: Porquê
primeira fase e segunda fase? Porque não outro sistema? Porquê oito equipas e
não 10 ou menos? Porquê o critério geográfico?
No que diz respeito ao novo formato da LPB, considero que
demos mais um passo atrás. Depois das três voltas, isto no tempo em que as
equipas da LPB faziam uma jornada em campo neutro ou no tempo que LPB e Proliga
se cruzavam uma vez e sem qualquer tipo critério, voltamos a um modelo que há
mais de vinte anos se revelou sem interesse. Este, aliás, foi um dos argumentos
usados na altura para acabar com a segunda fase da época regular. Compreendo
que se pretenda realizar mais jogos mas, fazer jogos só por fazer não traz
benefícios a ninguém. Não compreendo.
No que diz respeito à Proliga sabemos que existem mais
equipas a norte do que a sul, por isso, será este o melhor critério? A equipa
do Olivais Futebol Clube, que perdeu um jogo durante a época regular nas
diversas fases da competição e que perdeu o jogo da final do norte, perdendo
assim o direito de subir diretamente à Proliga, é seguramente a equipa mais
prejudicada. Uma outra questão é saber se o campeonato será competitivo e se
desperta interesse. Quanto à questão dos custos, é natural que diminuam, mas
não me parece que sejam relevantes, especialmente depois da desistência do
Imortal de Albufeira que foi substituída por uma equipa do arquipélago dos
Açores.
Um outro motivo de preocupação é o aumento do número de
jogadores estrangeiros. Indo contra a tendência europeia onde somente dois
países (Espanha e Itália) fazem distinção entre jogadores estrangeiros e
jogadores comunitários ou com os quais a Comunidade Europeia tem acordos,
surgem, agora, os dirigentes da FBP, que sempre se revelaram defensores do
jogador nacional, aumentar o número de jogadores estrangeiros. No que diz
respeito aos jogadores que vieram para Portugal durante a sua formação,
foi-lhes dada a possibilidade de serem equiparados a jogadores nacionais desde
que tenham jogado duas épocas em Portugal até aos sub20. Se o escalão sub20
deixou de existir ao nível nacional porquê os sub20 como critério? Se um
jogador vier para Portugal com 19 anos e jogar duas épocas pode passar a jogar
como equiparado a um qualquer outro jovem português. Pergunto: será que fez
formação em Portugal? Devo dizer que nunca vi nenhum jogador ser formado em
duas épocas, mas pode ser que alguém consiga fazer o milagre.
Um outro tema foi o Fórum do Basquetebol Primeiro onde
algumas pessoas (poucas que eu saiba) tinham algumas expetativas do que sairia
dali. Uma explicação: enviei dois documentos para o email do Fórum como forma
de contribuir para a discussão dos temas propostos. No dia 7, pelas 0.40 horas
recebi um convite para fazer uma apresentação de cinco minutos. Propus fazer
uma apresentação nunca inferior a 15/20 minutos por forma a fazer uma
apresentação consistente com os diversos temas que tenho abordado. Tinha
pensado em abordar o tema: O rebranding do basquetebol português.
Perante o não a este meu pedido, achei que não devia estar presente,
continuando a minha estadia no local de trabalho onde me encontrava. Como é
óbvio, fico satisfeito que se tenha realizado o Fórum, no entanto, fico
desapontado pela quantidade de pessoas presentes - disseram-me que seriam pouco
mais de 100 -, número revelador do afastamento e do desinteresse dos agentes da
modalidade, e não só, e o pouco interesse dos temas propostos. Também sei que
se ficou com a ideia de que pouco ou nada do que ali foi discutido seria
colocado em prática.
As questões que se
colocam ao basquetebol português são:
- Credibilidade da modalidade;
- Sustentabilidade financeira da FPB, clubes e diversas
competições;
- Modelos das diversas competições;
- Plano estratégico do basquetebol;
- Plano de marketing e comunicação;
- A criação da marca basquetebol e seus diversos produtos;
- Captação e retenção dos diversos stakeholders
(organizações desportivas, dirigentes, treinadores, atletas, árbitros,
patrocinadores, comunicação social, público).
Numa competição dita amadora mas na qual todos auferem
vencimentos, sob a forma encapotada de subsídios; na qual os clubes se queixam
de que não existem jogadores portugueses de qualidade; na qual os atletas
nacionais de qualidade não estão ao alcance financeiro da maioria dos emblemas;
na qual os clubes dizem não ter capacidade financeira para fazer face às
despesas de participação no campeonato - a competição é gerida por uma
organização amadora, por pessoas amadoras, que gerem dezenas de processos ao
mesmo tempo, sem uma visão, sem visibilidade, e sem um plano estratégico claro
para os problemas.
E quais foram as soluções encontradas pela FPB para fazer
face aos diferentes problemas? Aumentar o número de jogadores estrangeiros e
aumentar o número de jogos, numa espécie de pontapé para a frente.
Este é o momento em que as soluções devem ser criteriosas,
transparentes e que devem emergir no quadro de um grupo de trabalho e com o
envolvimento de todas as partes.
Parece-me claro que a resolução
destes problemas só é possível quando as organizações desportivas (clubes e
dirigentes), atletas (ganhem menos dinheiro, mais dinheiro, sejam profissionais
ou amadores), treinadores (sejam estes antigos atletas, tenho pena que não
hajam mais, ou professores de educação física), e árbitros (os acusados de que não
quererem baixar os prémios mas que não recebem esses mesmos prémios como é
público) tenham uma voz ativa e de conjunto na gestão da competição. É
fundamental e exige-se uma posição de grupo, onde possam exigir serem geridos
de forma profissional, com competência e rigor.
Este é o conjunto de pessoas ou entidades que no dia-a-dia,
semana a semana, mês a mês, ano a ano sentem na pele o impacto das más ou boas
decisões da FPB, afetando a estabilidade da organização, a carreira dos
diversos intervenientes no jogo, profissionais ou não. Estas são as pessoas que
podem tirar o basquetebol do lugar em que está. E que já não é o de primeiro
das modalidades de pavilhão.
Numa sociedade que gosta das pessoas politicamente corretas,
mantenho-me de forma construtiva a dar voz por um ideal, por um sonho, que sei
ser possível concretizar. Este não é, aliás, o sonho de uma pessoa só. É o
sonho de muitas pessoas do basquetebol e da necessidade de uma modalidade que
tem de se adaptar a um mundo diferente, competitivo e inovador, aliás algo que
o basquetebol já teve antes de ser atirado para o lugar em que está.
Não há lugar para ilusões, o basquetebol compete numa selva
de eventos onde todos procuram atrair público, patrocinadores, a atenção da
comunicação social, etc. Não é com medidas avulsas e com uma gestão amadora que
resolvemos o problema.
Eu quero o basquetebol num patamar de excelência
independente da sua função e do seu status (amador ou profissional) de
quem está no basquetebol, quero ver bons jogadores, jogar, equipas a praticarem
um bom basquetebol, lideradas por treinadores competentes e dirigidas por dirigentes
com visão para que o basquetebol seja, efetivamente, primeiro.
Ultimamente diversas pessoas têm falado comigo e tenho lido
igualmente diversos textos sobre o percurso de um jogador estrangeiro e como se
pode melhorar ou condicionar de forma administrativa a inscrição de um jogador
estrangeiro.
Como principio quando se contrata um jogador deve-se colocar
uma questão: Qual a importância de um jogador estrangeiro da equipa ?
Para mim e penso que para a generalidade dos diretores
desportivos e dos treinadores de um equipa a contratação de um jogador
estrangeiro tem como objetivo a melhoria do seu plantel e dotar a equipa de um
jogador que contribua para o alcançar um determinado objetivo.
Não é só por esta via que uma equipa pode melhorar, mas esta
solução é das que mais impacto pode ter no alcançar os objetivos estabelecidos.
Uma outra solução é a contratação de um treinador melhor e trabalho de melhor qualidade.
Mas vamos nos focar na questão do jogador estrangeiro.
Sempre parti de um princípio. Qualquer contratação de um
jogador estrangeiro deve ter como condicionante que este tem de ser melhor que
os jogadores Portugueses. Não faz sentido não ser assim. Também nunca dei valor
á nacionalidade e nunca quis fazer distinção entre jogadores denominados EC e
jogadores vindos de outras proveniências nomeadamente vindos dos USA.
Sempre me
pareceu ser uma melhor opção do ponto de vista económico tendo em conta que o
que se pretendia era o jogador mais competente.
Deve-se colocar uma questão, quais as condicionantes que
estão na origem da contratação de um jogador estrangeiro. Numa primeira fase o
orçamento disponível pela equipa e que é talvez o fator mais condicionante. Mas
não é o único. O nível competitivo para onde o jogador pode ir jogar e a
perspetiva de carreira desse mesmo jogador pode fazer com este aceite ou não ir
jogar para uma equipa e para um determinado país.
Portugal já foi um país que foi visto como um bom local para
desenvolver jogadores jovens. Desta forma vieram para Portugal muitos jogadores
que estiveram no nosso campeonato durante uma ou duas épocas e depois seguiram
a sua carreira num nível mais exigente e onde eram melhores remunerados.
Alguns jogadores mais experientes também vieram acrescentar
qualidade ao campeonato de então.
Nessa altura nunca se colocou a questão de onde vinham os
jogadores e porquê que nunca se colocou esta questão ? Simplesmente porque os
jogadores eram bons jogadores e o basquetebol português evoluiu com isso, os
jogadores portugueses evoluíram igualmente porque a oposição no treino e na
competição era mais fortes e isso fazia evoluir os jogadores de forma
generalizada. O reflexo no nível da competição era evidente.
Resultado desta fase foi o lugar que alcançamos em 2007 no
Europeu disputado em Espanha.
Então o que é que se passou seguir ?
Os orçamentos diminuíram abruptamente, a escolha dos
jogadores que eram feita de forma muito criteriosa passou a estar condicionada.
Muitas das contratações passaram-se a fazer-se através de um scouting ineficaz, os condicionalismos
económicos passaram a ter um peso grande, e isso teve como resultado que se colocasse
a questão, quem são e de onde vêm os jogadores estrangeiros que jogam em
Portugal.
Quero só deixar aqui as seguintes ideias:
- será que jogar na NCAA divisão I é sinal de qualidade ? não será melhor contratar um jogador que joga
e tem estatísticas interessantes num outro nível da NCAA do que contratar um
jogador que não tenha rotinas de jogo
- e quanto aos campeonatos Europeus ? se tivermos em conta
que o fator financeiro é aquele que mais pode influenciar numa contratação,
devemos então colocar quais são os campeonatos com que nos batemos pela
contratação de um jogador ?
- e o nível competitivo, será que o nível competitivo do
campeonato português é bem visto na Europa ou noutros continentes ?
Podíamos aqui continuar a colocar algumas questões mas a
conclusão na minha opinião será sempre a mesma. Observar os jogadores, obter a
maior e melhor informação possível, observar os jogadores no seu ambiente
natural, escolher os melhores entre os disponíveis e trabalhar muito no
dia-a-dia aquando da sua integração no plantel. Sem esta escolha criteriosa e
sem trabalho nada se consegue fazer.
Não se pode contratar só por se contratar, é preciso que um
jogador estrangeiro seja uma mais-valia para o plantel e para o nosso basquete
a questão é fazer as coisas bem-feitas como de resto em tudo.
Na sequência da minha intervenção no período anterior às últimas
eleições para a direção da Federação Portuguesa de Basquetebol, e da apresentação
á atual direção da FPB de um projeto de comunicação durante o mês de março de
2015, submeti dois documentos ao Fórum Basquetebol Primeiro que pode encontrar
neste link.
Portugal não faz parte da lista de
países que aderiram à transmissão, ficando de fora da mais importante prova continental
no que diz respeito ao basquetebol feminino.