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Friday, September 23, 2016

Época de 2016/2017 – crise ou no crise? – Parte 3 de 3

Quem leu a segunda parte deste artigo pode estranhar e até questionar o porquê dos dados serem relacionados com o futebol e focado especialmente num grande evento. A explicação é simples. Não existem praticamente estudos sobre o basquetebol. E os estudos publicados em Portugal são quase todos ligados ao futebol e aos festivais de música e poucos sobre outras modalidades. Mas existe ainda uma outra razão mais de fundo. O basquetebol era comparado com o futebol como modalidade modelo na gestão desportiva (criação dos cursos de treinadores e sua certificação, centros de alto rendimento, liga profissional, etc.). Mas só que o desporto evoluiu para um espetáculo desportivo, inserido na indústria desportiva e outras áreas passaram a ter tanto ou mais peso que a gestão desportiva, nomeadamente a gestão do marketing e comunicação e foco no consumidor do espetáculo desportivo. E isso na indústria desportiva fez e faz toda a diferença. Hoje, ao compararmos o trajeto das duas modalidades achamos que o comparativo é despropositado. Pois é. Desafio o leitor a fazer esse exercício de raciocínio e encontrar as razões para a diferença que hoje existe entre estas duas modalidades.
Voltando ao basquetebol e à crise: então, que tipo de crise é que o basquetebol enfrenta?

Eu diria que o basquetebol português falha onde não podia falhar. Pela falta de uma visão clara sobre o que o adepto, fan, simpatizante quer ver, do que quer desfrutar enquanto espectador e que permita ao basquetebol português ser uma modalidade que acrescente valor (prazer, emoção, interação, memórias positivas), isto do lado do adepto, fan simpatizante. Pelo lado das marcas, estas querem acima de tudo visibilidade e retorno do capital investido e, por isso, só quando existe uma competição interessante, disputada por diversos clubes, equilibrada, com adeptos, fans simpatizantes nos pavilhões, é que a modalidade consegue chamar a atenção dos órgãos de comunicação social, devendo estar igualmente fortemente presente nas redes sociais como forma de poder interagir com os adeptos/fans, marcas e todos os outros stakeholders.
É importante demonstrar que a modalidade pode ter impacto e que pode ser visível aos olhares de quem precisa e quer investir aproveitando o basquetebol como forma de promover a sua marca ou um determinado produto.

É imperioso que seja feito ao basquetebol português um rebranding. A modalidade precisa de uma mudança, que deixe de ser uma modalidade pouco capaz de dar prazer ao adepto, fan, simpatizante, e retorno aos patrocinadores, para uma modalidade de cara lavada, capaz de encher os olhos de brilho e de satisfação aos adeptos, fans simpatizantes, patrocinadores, tornando-se assim na nova tendência do desporto português ao assumir um nova identidade e posicionamento no espetáculo desportivo, isto é distinguirmo-nos das outras modalidades o máximo possível. Para isso, há que recriar a marca basquetebol e os seus subprodutos (competição sénior masculina e sénior feminina, formação, pontos altos) com uma identidade própria e uma comunicação eficaz, capaz de se diferenciar das outras modalidades no que diz respeito àquilo que oferece como espetáculo desportivo ao adepto, fan ou simpatizante e patrocinadores. Há que encontrar um eixo de comunicação de sucesso e uma política de comunicação integrada que dê suporte ao trabalho a ser desenvolvido. É claro que é preciso redefinir outras áreas que envolvem a modalidade e a organização de cada jogo/evento em si. Não podemos ter uma atitude passiva ao pensarmos que as marcas nos vão dar algo quando o basquetebol não tem nada para oferecer. Acerca desta clara necessidade, Vicente Moura, ex-presidente do Comité Olímpico de Portugal, fazendo o balanço sobre a participação portuguesa nos jogos olímpicos numa entrevista a um jornal português, referia que não há espetáculo para além do futebol. Esta é a perceção de alguém do desporto que aponta claramente na necessidade de se encontrar novos caminhos.

Será que haverá alguém que ainda pense que haverá uma marca que dê dinheiro para o basquetebol sem hipótese de obter qualquer espécie de retorno? Que dê dinheiro para que passe uns jogos na televisão? As marcas querem associar-se a modalidades ou eventos desportivos que lhes tragam reconhecimento por parte dos adeptos, dos fans, simpatizantes, que lhes traga visibilidade, prestígio e vendas. Vendas acima de tudo. A visão do marketing desportivo que via o investimento como uma valorização da marca acabou. O marketing desportivo tem de acrescentar vendas, e isso só é possível quando acrescentarmos valor como modalidade ao patrocínio. Temos de envolver clubes, adeptos, fans, planos de comunicação, meios de comunicação social, uso das redes sociais, e montes, montes de adeptos e fans, muitos fans que tenham uma paixão infinita pelos seus clubes e pela modalidade, e que ao saírem de um pavilhão sintam o desejo de voltar, tornando-se embaixadores da modalidade, é isso que faz com que os recintos desportivos se venham a encher de pessoas. Um evento de qualidade precisa de adeptos/fans nos pavilhões, de audiências da televisão e de seguidores nas redes sociais. Se as marcas quiserem ter minutos na televisão encomendam uma campanha de comunicação a uma agência de comunicação ou de meios, e se for bem-feita e bem-sucedida têm milhões de visualizações e milhões de menções nas redes sociais.

A NBA, considerado o modelo de referência do marketing desportivo ao nível da indústria desportiva, é um bom exemplo da importância e relevo que dá ao consumidor (adepto/fan). Depois de momentos conturbados nos anos 70, veio a tornar-se a liga de referência ao nível mundial. Implementou um modelo de negócio que no inicio foi baseado na rivalidade entre equipas Lakers vs Celtics, de cidades Los Angeles vs Boston e de jogadores Magic Johnson vs Larry Bird. Com o apoio do marketing da liga, dos donos das equipas, da associação de jogadores, e televisão, construiu uma competição capaz de agradar a diversos públicos, de proporcionar experiências únicas através das suas instalações desportivas, qualidade do jogo, competitividade da competição, interação com o público através das redes sociais, relações com as comunidades através do marketing de causas ou ações de responsabilidade social, sendo assim capaz de manter o desejo de os adeptos/fans voltarem a ver um jogo de basquetebol e seguirem a sua equipa apesar de os preços serem elevados.

Não será então que está na altura de a Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) fazer uma análise e tirar as ilações daí advindas sobre se tem ou não uma estrutura humana aos diversos níveis da gestão das competições e que são fundamentais para que o basquetebol saia deste momento menos bom em que se encontra?

Não basta mudar quadros competitivos, isso é um assunto menor. No caso das competições seniores masculinas e femininas do primeiro nível de competição, na minha opinião, o que é necessário é criar uma equipa de trabalho que faça a gestão da área desportiva, de marketing e comunicação, em sintonia com a direção da FPB, de uma forma competente, profissional e com paixão, porque a crise existe, sim é verdade, mas existe acima de tudo porque não temos tido a abordagem correta vinda dos problemas que a transformação que houve no desporto colocou ao basquetebol.

A minha paixão pelo basquetebol é cada vez maior e mais forte, fruto das experiências desenvolvidas quer em Portugal quer no estrangeiro e quer o meu coração quer a minha cabeça estão de alma e coração com a nossa modalidade.

O futuro vai chegar


António Pereira

Wednesday, September 21, 2016

Época de 2016/2017 – crise ou no crise? – Parte 2 de 3


Parecendo que mudo de assunto, mas não é tanto assim, foi com enorme curiosidade que assisti à campanha da seleção portuguesa no Europeu de futebol, na tentativa de a observar do ponto de vista desportivo, mas, acima de tudo, numa perspetiva da gestão da comunicação e do marketing.

Também não deixei de estar atento ao que a UEFA e a FIFA fizeram no campeonato europeu nas áreas da comunicação e do marketing. Apetece-me, pois, dar os parabéns às duas organizações, bem como à Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

Passada a euforia pela conquista do Euro 2016, refleti e cheguei à conclusão que realmente o problema do basquetebol português está mesmo na crise. Só que a crise que identifico não é a mesma que alguns dão como argumento para o que não se faz ou para o que está mal na nossa modalidade. A crise existe? Sim! E já existe há muitos anos? Sim! E é bem profunda? Sim! E é só financeira? Não! Antes pelo contrário, tem muito mais a ver com outras áreas do que com a financeira.

Até porque, apesar de tudo, os sinais da crise são mais evidentes em algumas modalidades ou organizações do que noutras.

O basquetebol ao nível internacional está de ótima saúde. E nunca o desporto em geral suscitou tanto interesse nas pessoas, sejam elas adeptas, fans ou simplesmente simpatizantes. O espetáculo desportivo é um sucesso em diversas modalidades, nos quatros cantos do mundo, e em diferentes patamares de competição.

E também se pode dizer que nunca o investimento das marcas no desporto foi tão elevado, quase sempre acompanhado por campanhas de comunicação de grande qualidade, nas quais as marcas surgem associadas a determinada modalidade, apelando à paixão do adepto, ao sentimento de pertença e ao envolvimento/engajamento ou associação com o consumidor do espetáculo desportivo. Os meios utilizados são diversos, como é natural, sendo que a televisão continua a merecer a maior parte da atenção (investimento) das marcas nas suas campanhas de comunicação. No entanto, o marketing digital e as redes sociais começam a ter cada vez mais impacto para alcançar os objetivos propostos.

É isso mesmo que a divulgação de diversos estudos desenvolvidos por instituições académicas, de organizações privadas, de empresas que se dedicam ao estudo de mercados ou mesmo das redes sociais nos dão a conhecer dados. Entre estes estudos, surgiu o do impacto financeiro que, de acordo com um estudo do IPAM, o Campeonato da Europa 2016 podia gerar 609 milhões dos quais 213 milhões se referiam apenas à presença e vitória nas meias-finais e na final, e 330 milhões seria o impacto total na economia nacional no percurso da seleção após a fase de grupos. Ao número de seguidores dos eventos desportivos, no que diz respeito ao número de pessoas que seguiram uma determinada transmissão na televisão, 3,7 milhões assistiram à final do Euro 2016. Já a Cision avança que o retorno mediático dos patrocinadores da Seleção Nacional podia vir a atingir os 117 milhões de euros. Um dado interessante é o que diz respeito ao interesse declarado na Seleção Nacional, que subiu para 85 %, aumentando a cobertura das marcas patrocinadoras para 5,6 milhões de pessoas. Já são poucos os portugueses que ficam de fora. A presença de Éder, autor do golo da vitória da seleção, num programa de televisão foi visto por 972 mil pessoas, de acordo com um estudo da Marktest. Nessa entrevista, o jogador vestia uma camisola de um patrocinador oficial da Seleção Nacional. Dos 31 minutos e 46 segundos de duração da referida entrevista, a marca do patrocinador esteve visível durante 7 minutos e 55 segundos, a que corresponde a 25 % da duração da entrevista, conseguindo atingir 930.700 pessoas. Se a marca tivesse recorrido a publicidade tradicional para obter a mesma exposição, teria tido o custo de investimento no montante de 617.556 euros a preço de tabela.

Em apenas dois dias, foram escritas mais de 60 mil notícias sobre a vitória da Seleção portuguesa no Euro 2016, sendo que foi igualmente um dos temas mais falados por todo o mundo. A Cision vai mais longe e indica que desde que Fernando Santos divulgou a lista de convocados e até ao final do campeonato Europeu 2016, a equipa nacional somou um total de 213.860 notícias e durante o período competitivo 40 % da atenção mediática dedicada a Portugal pela comunicação internacional estava relacionada com o Euro 2016 num total de 532.655 notícias.

Outros dados que estão disponíveis dizem respeito aos valores que as marcas esperavam ter de retorno, sendo que esse valor era de cerca de 117 milhões de euros, caso Portugal conquistasse o Euro 2016.

Quantos às redes sociais os dados divulgados pelo Facebook apontam que o Euro 2016 gerou 950 milhões de interações na sua rede, 146 milhões só na final.

A página da Seleção Nacional no Facebook registou um aumento de 46 % (747 mil novos fans), 375,6 milhões de utilizadores que fizeram 196,6 milhões de gostos e mais de 500 mil comentários. No Twitter, o número aumentou 25,28% e no Instagram houve um acréscimo de 273,288 seguidores. E quanto às marcas, o anúncio The switch teve mais de 50 milhões de visualizações e Paul Pogba: First never follows obteve 300.000 no You Tube.

Mas não se pense que é só o futebol que tem impacto ou retorno. Ainda recentemente o secretário regional do turismo e transportes referiu que o surf tem o retorno direto das competições realizadas nos Açores no montante de 1.6 milhões de euros, e isto a propósito de um evento onde uma marca que já patrocinou o basquete está presente.


Os dados são claros e deixam-nos… . Quanto à pequenez que o basquetebol português se tornou quando comparado com o futebol e não só. E relembro que o basquetebol era uma modalidade líder em várias áreas, tais como formação de treinadores, centros de alto rendimento e profissionalização da modalidade, mas que se deixou afundar num lamaçal que suga a modalidade para uma série de problemas que nos deixam apreensivos quanto ao seu futuro. 

Monday, September 19, 2016

Época de 2016/2017 – crise ou no crise? – Parte 1


1ª Parte de 3

O 1 de setembro de 2016 é, por norma, o dia em que as equipas seniores portuguesas começam a treinar.

Esta época, contudo, apresentam-se duas exceções. O campeão em título, o FC Porto, e o finalista da última edição do campeonato, o Benfica, já regressaram ao trabalho há umas semanas. E tiveram mesmo de o fazer porque receberam um convite da FIBA Europa para participar na nova Basketball Champions League, uma competição polvilhada por polémicas, geradas logo na sua fase de gestação.

A participação nesta prova motivou que ambos os clubes tivessem de começar a época mais cedo, com objetivos claros, para que se possam apresentar no melhor nível para atacar a pré-eliminatória que as qualificam para fase de grupos da competição.

Esta competição desenhada com uma determinada estrutura acabou por será alterada já durante o mês de agosto após três clubes terem solicitado a sua inscrição na prova. A FIBA aceitou a inscrição destes clubes com base na qualidade da competição doméstica onde cada clube compete, histórico da participação das equipas nas competições europeias no passado recente. Ficaram as equipas portuguesas então dependentes do playoff de acesso que por vias desta alteração foi reduzido de duas eliminatórias a uma eliminatória. Portanto não estamos, temos de nos apurar. Do mal ao menos.


As restantes equipas, normalmente, começam a treinar a partir de 1 de setembro. Algumas, poucas, iniciam os treinos semanas mais tarde. O critério normalmente subjacente a esta decisão tem mais a ver com os aspetos financeiros do que desportivos. Já foi tempo em que as questões desportivas condicionavam o arranque da época. Também se deve acrescentar que muitas das equipas raramente começam a treinar com o plantel completo.

Uma das razões para essa situação é a necessária poupança dos meios financeiros à disposição. Dizem: é a crise! É um dos argumentos mais proferidos. Há quem acrescente a palavra económica, ficando assim a crise a ser económica. Há também quem vá mais longe e diga que não há dinheiro, não há patrocinadores, não temos jogos na televisão, como é que nos havemos de arranjar? Somos uma modalidade invisível. Haverá, ainda, outros argumentos considerados como válidos, mas posso dizer com segurança que estes são os mais usados. 

Saturday, April 2, 2016

Quadros Competitivos – comentários

A oportunidade de ler os textos divulgados pela Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) no seu sítio, sobre a temática da proposta de alteração dos quadros competitivos, leva-me a desenvolver as seguintes considerações, que são o meu contributo para este tema.

Um quadro competitivo é composto por jogos, visa o desenvolvimento desportivo enquadrado numa lógica global e multidisciplinar e envolve também organizar um jogo de basquetebol. Que é o mesmo que organizar um evento. Como tal, deve ser pensado, planeado, executado e no final avaliado.

O desenvolvimento do evento tem como objetivo atrair pessoas, sendo que se no passado tinha muito de afetivo pelo sentimento de pertença a um clube, hoje, além deste sentimento tem de se ter em consideração a qualidade do evento, do valor do conteúdo da experiência que oferece aos adeptos/fans, se pretendemos que os adeptos/fans se disponham a ir ver o espetáculo desportivo e regressem. Então, temos de ter contribuir para uma experiência única em cada jogo. Facilmente concluímos, pois que o jogo (desde as concentrações de minibasquete á final da LPB) é muito mais do que o simples meter a bola no cesto.

Sem gerar conteúdos que atraiam, retenham e satisfaçam o adepto/fan, qualquer evento, seja de que tipo for, estará certamente destinado ao fracasso.

No que diz respeito à gestão desportiva temos de ter em consideração que qualquer alteração aos quadros competitivos terá de estar de acordo com uma visão estratégica da modalidade e não devem ser alterados simplesmente para se mostrar que se quer mudar.

Compreendo e aceito as preocupações de clubes, associações, direção técnica da FPB, direção da FPB, mas sem dados objetivos que possam ser comprovados será difícil uma tomada de decisões que tenham em conta as respostas às necessidades sentidas pelos diversos agentes da modalidade.

Para além da visão estratégica precisamos de saber:
- Objetivos gerais de uma determinada competição (quadro competitivo);
- Objetivos específicos de uma competição (quadro competitivo);
- Recursos humanos que permitam desenvolver a competição nomeadamente número de atletas;
- Número de atletas;
- Número de jogadores internacionais;
- Qualidade dos atletas;
- Como estão distribuídos pelos clubes;
- Número de treinadores;
- Qualidade dos treinadores;
- Qualificação dos treinadores;
- Número de clubes;
- Localização geográfica dos clubes;
- Relação de árbitros, oficiais de mesa e comissários – ter em conta o número de juízes disponíveis a nível nacional e regional, o custo de cada equipa arbitragem por jogo, a sua implicação no espetáculo desportivo pela qualidade demonstrada ou pela falta dela, que prejuízos pode advir para a formação do jogador;
- Recursos financeiros necessários por parte dos clubes para participar num determinado quadro competitivo;
- Disponibilidade de pavilhões, qualidade das instalações desportivas (quentes/frios), números de horas de treino de cada equipa, condições para a realização de um jogo, condições para o público e para os parceiros/patrocinadores;
- Que público temos? Sabemos quantos espectadores assistem ao evento que é um jogo da LPB? E da Proliga? E da Liga Feminina? E dos campeonatos regionais ou nacionais de formação? E na Festa do Basquetebol? Que basquetebol aspiram os adeptos/fans a ver? Qual é a média de idade dos espectadores dos eventos do basquetebol? E o género? Ouvimos os nossos adeptos/fans? Temos em conta a opinião dos possíveis parceiros?
- Existe um plano de marketing e comunicação de cada competição (quadro competitivo)? Existe um plano de marketing e comunicação da organização (FPB)?

Num mundo tão competitivo, no qual as ofertas de eventos e a luta por parceiros, financeiros ou de outra índole, é enorme, uma das diferenças que a FPB pode ter como organização é a capacidade de inovar aos diversos níveis sendo que os quadros competitivos podem e devem ser uma das áreas de intervenção.

Contudo sem que estes sejam vistos como parte da visão estratégica da direção da FPB podemos não ter em conta que estão a contribuir para quadros competitivos pouco aliciantes, não indo ao encontro das expetativas dos diversos stakeholders, desajustados, e até injustos para os participantes

Não tenho quaisquer dúvidas que os eventos de índole desportiva fazem parte cada vez mais parte da vida das pessoas, dos adeptos/fans, e dessa forma temos de criar laços emocionais e interagir com os nosso adeptos/fans, mas são igualmente apetecíveis para as marcas que aproveitam para criar laços de afetividade com os adeptos/fans. A questão que se coloca é como tornar um evento de basquetebol e que faz parte de um quadro competitivo, algo de fantástico, com emoção, competitivo e que faça com que o adepto/fan tenha vontade de voltar ao mesmo ao pavilhão.

Por isso, antes de proceder a qualquer tipo de alteração precisamos responder às seguintes questões:
- Alterar porquê?
- Alterar para quê?
- Que impacto terá no basquetebol na próxima década?

Coimbra, Fevereiro, 25, 2016


António Pereira

Thursday, February 18, 2016

A NBA dá o exemplo do uso das redes sociais

Durante a realização do All Star Game da NBA em Toronto 16 Adam Silver, comissário da NBA, afirmou que a NBA foi a primeira organização desportiva profissional a passar a barreira de um bilião de gostos nas diversas redes sociais, tais como Facebook, Twitter, Instagram, Tencent (China) e Sina (China), sendo que para a contabilidade destes números entram os seguidores da NBA, das equipas e dos atletas. Também a aplicação Vine ultrapassou um bilião de visualizações há poucos meses.


A equipa mais seguida é a dos Los Angeles Lakers e LebronJames surge como o atleta mais seguido.
Ainda recentemente a FIBA anunciou que tinha atingido a marca dos cinco milhões de pessoas que seguem a organização nas redes sociais, o que demonstra que o basquetebol já não é mais gerido como uma simples modalidade desportiva mas sim como uma modalidade com o foco no espetáculo e estando inserido no mercado da indústria desportiva e do entretenimento.
Não é por isso segredo que o futuro das modalidades desportivas, nomeadamente o basquetebol, passa muito pela forma como se comunica nas redes sociais e nas plataformas digitais associadas, atendendo ao acesso através dos equipamentos mobile, que são hoje usados em grande parte como a primeira opção para visualizar os diversos conteúdos disponibilizados.
Cada vez existe uma maior consciência por parte dos marketeers , das organizações e das marcas, para as vantagens que as redes sociais proporcionam quer nos objetivos de negócio como nos de marketing e comunicação. Assim a questão das redes sociais não é mais vista como um meio somente de entretenimento mas também uma forma que permite vendas e negócio. 



Friday, January 22, 2016

Cinco iniciais do NBA All Star Game 2016

A NBA anunciou os cinco iniciais do Este e do Oeste onde destaco a ausência de jogadores interiores em cada conjunto.
Coloco as seguintes questões:
Qual a razão de não haver jogadores interiores?
O que é que isso significa?
Qual o impacto no futuro do jogo?
K. Bryant foi o jogador que obteve mais votos mais propriamente 1 891 614, seguido de Stephen Curry a que não deve ser alheio o fato de ser a sua última presença.

Estes são os cinco iniciais de cada conferência.

Conferência de Este

G — Dwyane Wade, Miami Heat
G — Kyle Lowry, Toronto Raptors
F — LeBron James, Cleveland Cavaliers
F — Paul George, Indiana Pacers
F — Carmelo Anthony, New York Knicks
Conferência do Oeste
G — Stephen Curry, Golden State Warriors (third selection)
G — Kobe Bryant, Los Angeles Lakers (18th selection)
G — Russell Westbrook, Oklahoma City Thunder (fifh selection)
F — Kevin Durant, Oklahoma City Thunder (seventh selection)
F — Kawhi Leonard, San Antonio Spurs (first-time All-Star)
Os restantes jogadores serão anunciados no dia 28.

Foto dos equipamentos: 


















Wednesday, November 11, 2015

Um zero à esquerda

O jornal Expresso publicou um artigo que destaca o valor do surf e o retorno que a marca representa para os parceiros de negócio desta modalidade.

Já no primeiro texto que publiquei no meu blog em março de 2014 (ver link no fim do texto), abordo e sublinho a necessidade de criar a marca basquetebol e da obrigatoriedade desta se distinguir das restantes modalidades.

E como atingir este objetivo? Há que criar a marca ou fazer o rebranding daquilo que existe, ter uma visão clara do que se pretende e, depois, envolver as organizações e agentes desportivos, através de uma liderança congregadora, dinâmica, moderna e visionária. É este o (único) caminho para o sucesso.

O que sobressai na atualidade do basquetebol português é a ausência do que atrás referi.

Partindo da necessidade de conquistar credibilidade, criar sustentabilidade e atingir o equilíbrio financeiro, há que fomentar a formação de jogadores, organizar quadros competitivos ajustados à realidade e coerentes, desenvolver uma estratégia de basquetebol em paralelo com um plano de marketing e de comunicação. Assim se gera valor para o basquetebol e para os parceiros de negócio.

Estas ideias levam-me a questionar: o que tem sido feito para inverter o rumo do basquetebol português? Cativar adeptos e interagir com eles nos jogos ao vivo? Como tirá-los o sofá? no fundo como persuadir os fans a ir ver um jogo de basquetebol ao vivo. Ainda não vi... Seduzir parceiros negócios? Não tenho conhecimento de nada...

Deveriam ser estes os princípios norteadores do trabalho de quem pretende fixar a marca basquetebol em primeiro lugar e na tentativa de lutar pela atenção de audiência e patrocinadores.

O público dá as respostas, nunca está errado e a sua opinião não pode ser menosprezada. É ele o melhor juiz do que é organizado nos gabinetes e nos corredores das decisões e que no passado já lotou as bancadas dos pavilhões, tornando-se nos melhores embaixadores da marca basquetebol, numa altura em que as ferramentas de marketing e comunicação eram quase inexistentes.


Sem uma visão do que se pretende, do que somos, do caminho que precisamos percorrer, onde queremos chegar e qual a estratégia a usar, com poucos espectadores e patrocinadores, sem recolher informação (data), atrevo-me a dizer que o basquetebol em Portugal vale... zero! Já o surf está nos 400 milhões de euros. Quanta diferença!!!

Segue o texto da notícia publicada.

Surf vale 400 milhões

08.11.2015 às 12h00
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Depois do sol, da praia e do golfe, as ondas podem ser a próxima grande fonte de receitas no turismo
Jornalista
O número é indicativo e “até pode pecar por defeito”, garante Francisco Rodrigues, presidente da Associação Nacional de Surfistas (ANS).
Esta organização é a única que até agora fez um estudo do impacto económico do surf em Portugal e os resultados baseiam-se na soma de três parcelas: a indústria do surf (que inclui as várias dezenas de empresas que trabalham nesta área, as escolas de surf, as lojas de venda de pranchas e outros adereços e, não menos importante, os eventos que se vão multiplicando por toda a costa); o turismo associado ao surf, que conta com milhares de estrangeiros que todos os anos se deslocam a Portugal; e, em terceiro lugar, o contributo que é dado pelos mais de 212 mil surfistas residentes em Portugal (dados de 2012), que ao longo de todo o ano produzem receita sempre que praticam o seu desporto favorito.

VALOR PODE ‘DISPARAR’

Mas há um quarto fator que ainda não foi contabilizado no estudo da ANS, o qual, segundo Francisco Rodrigues, pode fazer ‘disparar’ o valor referência dos €400 milhões anuais. “É que está a aumentar todos os anos o volume de negócios da indústria têxtil nacional, que atualmente já se dedica quase em exclusivo à produção de linhas completas para marcas de renome mundial, que vendem roupa associada ao surf.” A maioria esmagadora desta produção segue para os mercados internacionais.
O presidente da ANS tem a noção de que o número que está a veicular “não tem base científica”, mas diz ter a certeza absoluta de que “estamos a ser muito conservadores nas estimativas que fizemos e basta ver a adesão crescente à modalidade em cada ano que passa e à forma quase viral como Portugal é seguido à escala global por todos os adeptos desta modalidade”.
Nos Estados Unidos, onde as ondas gigantes da Nazaré já estão a ir buscar ‘mercado’, o impacto económico do surf ronda os €6 mil milhões anuais, segundo Mark Noonan, administrador com a área comercial da World Surf League, que esteve recentemente em Portugal.

PENICHE GERA MAIS DE €13 MILHÕES NUMA SEMANA

Embora numa escala completamente diferente, na ordem de grandeza dos números, só a prova Rip Curl Pro 2013, em Peniche — que conta para o campeonato do mundo de surf — , rendeu €13,3 milhões em receitas, apenas numa semana. No ano seguinte subiu para €13,6 milhões, número que este ano poderá ter aumentado, até porque houve mais surfistas, mais público e mais promoção a nível mundial que nos anos anteriores.
António Correia, presidente da Câmara Municipal de Peniche, conta que está à espera dos resultados do estudo de impacto económico da prova, que se realizou há duas semanas. Entretanto, recorda alguns números do ano passado: só as transmissões televisivas do Moche Rip Curl Pro Portugal atingiram uma audiência global de 299,5 milhões de pessoas, tendo a transmissão online registado mais de 19 milhões de visualizações. Durante os dias da prova passaram pelas praias de Peniche 138 mil pessoas.
Um estudo da World Surf League concluiu que as três provas de seniores realizadas em Portugal Continental em 2014 (Moche Rip Curl Portugal Pro, Cascais Billabong Pro, Cascais Women’s Pro), tiveram um retorno mediático total de €46 milhões, dos quais €28 milhões relativos à prova de Peniche. É como se Portugal tivesse investido aquele valor na promoção da sua imagem à escala global, nota Francisco Spínola, presidente da Ocean Events, entidade organizadora da prova.
Quatro anos depois de Garrett McNamara ter surfado uma onda de 27 metros, os recordes de visitantes continuam a ser quebrados na Nazaré. Walter Chicharro, presidente da autarquia, conta que nos últimos 10 meses o farol da Praia Grande foi visitado por mais de 110 mil pessoas, e o histórico ascensor que liga a vila ao alto da falésia este ano deverá transportar perto de 900 mil pessoas, contra 640 mil em 2014.
É lá em cima que se avistam melhor as ondas gigantes que correm mundo sempre que um surfista tenta bater um novo recorde. Dados do Turismo de Portugal mostram que em novembro e dezembro do ano passado a Nazaré teve mais notícias internacionais que Lisboa.
Os investimentos na hotelaria da Nazaré multiplicam-se e somam já €30 milhões e as receitas na restauração sobem à razão de 50% ao ano. Mas o melhor ainda está para vir: um investimento de €1000 milhões, de capitais suíços e alemães, num megaprojeto turístico cujas taxas municipais seriam suficientes para liquidar a dívida da autarquia, uma das mais elevadas do país.

MAR DE OPORTUNIDADES

299,5 milhões foi o número de pessoas alcançadas pelas transmissões televisivas do Moche Rip Curl Pro Portugal, realizado em Peniche.
€46 milhões foi o valor mediático das três principais provas de surf realizadas no ano passado em Portugal, segundo a World Surf League.
€1000 milhões pode ser o valor do próximo grande investimento turístico em Portugal, na Nazaré.

Fontes:
Link do artigo do artigo do jornal Expresso: http://expresso.sapo.pt/economia/2015-11-08-Surf-vale-400-milhoes
Fotos: Imagens Google




Monday, October 19, 2015

Ligas Europeias e FIBA anunciam conclusões sobre o basquetebol profissional

Foi na Casa do Basquetebol que a FIBA recebeu a ULEB (Union od European Leagues of Basketball) e representantes das ligas Belga, Francesa, Alemã, Greca, Israelita, Italiana, Lituana, Holandesa, Polaca, Espanha, Turca, Liga Adriática, e VTB League que cobre 25 países, e onde foi discutida a visão futura do basquetebol profissional. Portugal não esteve presente como se pode constatar.

A FIBA quis ouvir as opiniões dos diversos participantes acerca da reformulação do sistema competitivo ao nível de clubes na Europa, quer ao nível do formato, processo de qualificação, calendário da competição, benefícios comerciais, despensa dos jogadores para as respetivas seleções nacionais, seguro desportivo ao serviço das seleções nacionais.

Foi dada a conhecer aos presentes os ambiciosos planos da FIBA no que diz respeito quanto ao futuro do basquetebol na Europa que se considera longe do seu potencial. FIBA considera que este crescimento só é possível com todos os interessados a trabalhar como uma unidade, reconhecendo que é importante ter os mesmos objetivos, e partilhar os mesmos valores.

A necessidade das competições domésticas, competições europeias de clubes e seleções nacionais são vitais para o desenvolvimento do basquetebol.

Estas são as conclusões em inglês da press released emitida pela FIBA
The attendees welcomed the following important and historical measures to integrate clubs and leagues further within the FIBA family:
- European clubs and leagues representatives shall have dedicated seats as full voting members within the Board of FIBA Europe;
- FIBA Europe's Advisory Board to the new FIBA Europe Cup shall include representatives of clubs and ULEB;
- FIBA will establish a Professional Basketball Council (PBC) as an official body of FIBA. Among the terms of reference of this new body, as approved by the attendees, will be the promotion of unity among all professional basketball stakeholders as well as preserving the interests of clubs and leagues within FIBA;
- Representatives of FIBA Europe will be invited to attend ULEB's General Assemblies;
- ULEB shall appoint - in consultation with FIBA - a permanent representative to act as European national leagues liaison in order to facilitate a much closer cooperation between ULEB, its member leagues and FIBA. FIBA will provide ULEB with financial and administrative support for this person, who will coordinate ULEB's efforts with the competition departments of the European Regional Office and of the FIBA headquarters.
Fonte: www.fiba.com


Friday, October 16, 2015

Com as pessoas, seguindo em direção ao futuro

É sempre salutar observar consensos quando duas partes mantinham posições extremadas. Aliás, não consigo avaliar quem não fique satisfeito com esta situação. 

O recente conflito entre a Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) e a Associação Nacional de Juízes de Basquetebol (ANJB) veio demonstrar, uma vez mais, que a gestão da modalidade necessita de ser repensada.  

O acordo que saiu do encontro mantido entre os presidentes Manuel Fernandes e Paulo Alves permite antever que se abre uma janela para a resolução de uma boa parte dos problemas. Porque é isso que, agora, toda a gente está à espera, que os problemas sejam realmente atacados e não protelados. 

A questão das tabelas de arbitragem e das dívidas aos juízes foram os pontos divergentes, no qual toda a gente se focou, mas por detrás desse mesmo conflito está uma incapacidade, impossível de esconder, da estrutura da FPB em revelar-se proativa perante as dificuldades.  

Não me parece que a FPB pretenda correr o risco de voltar a incorrer nos mesmos erros – algo que insistiu nos últimos anos, por o boicote dos árbitros ter sido reincidente, embora este último tenha sido o episódio mais grave – e aproveite esta ocasião para, finalmente, transmitir uma imagem de dinamismo e evolução no tempo.  

Urge definir um plano estratégico, não apenas desportivo, mas transversal às diferentes áreas de intervenção da FPB.

Tenho a certeza que existe muita gente com vontade e disponibilidade de colaborar nesse documento, convicção que reforço pelos comentários analisados nas redes sociais. 

Se queremos mudar o basquetebol temos de olhar para o passado e identificar o que se fez de bem e o que se fez de errado, análise que nos ajudará a traçar o rumo ambicionado, construindo com as pessoas um futuro que se desenvolve à velocidade da luz. 


Wednesday, October 14, 2015

Será o basquetebol uma família grande?

O estado atual do basquetebol é parecido com uma grande família que não se entende dando assim uma imagem negativa para o exterior.

Mas será que nos últimos anos, houve paz na família basquetebolista?

No sentido de contribuir para uma melhoria do ambiente no basquetebol tenho escrito diversos textos, textos esses que normalmente têm propostas estruturantes para a nossa modalidade e que antecipam problemas. Aliás um dos grandes males do basquetebol português destes últimos anos tem sido sempre o de correr atrás do prejuízo, tornando-se reativo em vez de pró-ativo. 

Mas esta dificuldade em arrancar a época era um cenário previsível. Os Clubes não gostaram do modelo competitivo nomeadamente quanto ao aumento das despesas. Os árbitros não gostaram de saber por outros que os seus prémios iriam sofrer um corte, e de uma forma algo natural previa-se o que veio a acontecer.

Aliás esta falta de atitude pró-ativa de todos os envolvidos na modalidade levou o basquetebol á falta de credibilidade, á falta de sustentabilidade e aqui não falo só do problema financeiro mas também de outros aspetos que contribuem para os diversos itens da sustentabilidade tal como a formação, á falta de apoios através da falta de parcerias ou dificuldades em as concretizar, do problema de não gerar receitas, da necessidade de captar e como o público, e da ausência do espetáculo ou até mesmo da incerteza do resultado.

Neste cenário não é possível colocar o basquetebol em primeiro, nem sequer em segundo.

Por forma a colmatar este problema e recuperar a paz há necessidade de envolver as diversas parte na solução do problema.

Uma dessas fórmulas pode muito bem ser o de criar um conselho de gestão das competições onde várias partes estejam presentes no sentido de estudar os problemas, antevendo cenários, agindo em prol do basquetebol num cenário onde os contributos das diversas partes são importantes.

Este conselho de gestão deve gerir uma ou mais competições sem retirar a legitimidade e autoridade ao Presidente da FPB, mas bem pelo contrário dando-lhe legitimidade e força. Neste conselho devem estar representantes da FPB, dos clubes, de treinadores do nível competitivo correspondente como representantes da ANTB ou não, da ANJB, e da associação de jogadores quando estes quiserem e tiverem uma associação ativa e representativa dos diversos atletas. Neste grupo devem estar ainda pessoas ligadas ao marketing e comunicação porque estas duas áreas são fundamentais para qualquer organização que se queira afirmar num mercado competitivo e não tenho dúvidas que este é um mercado altamente competitivo e disputado.

Existe uma expressão do género ”não te ponhas a inventar que já está tudo inventado”, e nesta situação não estamos a inventar nada. A NBA tem o conselho dos governadores onde se fala dos problemas encontrados e das soluções possíveis. Depois de um tempo de reflexão o dito conselho volta a reunir para os temas serem novamente discutidos sendo na sequência disso aprovado ou não. 

É claro que a NBA tem uma missão clara e uma visão que não deixam dúvidas, os valores que defendem e a o seu logo, fazem parte da sua identidade e todos sabem do que se espera da NBA quando este nome é referido.

Mais que inventar é preciso adaptar os bons exemplos das organizações e felizmente a NBA é uma delas existindo a necessidade pensar fora da caixa ou ver o grande quadro “the big picture” da situação.

A realidade do basquetebol nacional é diferente. Os diversos clubes têm problemas diferentes. estruturas e realidades diferentes a diversos níveis, os treinadores a mesma coisa, uns são profissionais e outros embora muitos tenham uma atitude profissional exercem uma outra profissão. 

Em relação aos jogadores a mesma situação, uns são profissionais e outros ganham algum dinheiro mas são estudantes ou trabalham mesmo. Em relação aos árbitros que muitos falam e escrevem sobre a sua qualidade mas que neste momento são os primeiros a mandar pedras, tenho a ideia de que existem alguns que são muitos bons, que existe um conjunto alargado com bastante potencial e depois temos as assimetrias regionais ou nacionais.

Com tanta dispersão de realidades e interesses só uma grande capacidade de gerar consensos pode tirar o basquetebol do abismo onde se encontra. E deste modo não é fácil um grupo tão restrito de pessoas como o que gere a FPB (Federação Portuguesa de Basquetebol) ter sucesso. Usando mais uma expressão “como os mesmos procedimentos repetidos sistematicamente não podemos esperar resultados diferentes”.

Há distância de um teclado ou de um microfone é fácil escrever nas redes socias ou falar numa rádio ou televisão, mas de uma forma consciente podemos afirmar que os diversos stakeholders do basquetebol estão cansados e zangados com este basquetebol que não serve ninguém.

Este pode ser o momento que o basquetebol precisava para unir a família e colocar no top das prioridades o envolvimento de todos para que o basquetebol recupere o prestígio, até porque adiar pode ser o despertar de novos problemas que se advinham.

António Pereira


Nota de esclarecimento: Este texto foi escrito no dia 11 de Outubro de 2015 e disponibilizado no mesmo dia e seguintes a pessoas diversas e teve como objetivo o contribuir para uma reflexão sobre os problemas atuais do basquetebol português.